Última hora

Última hora

Alemanha: Encontros e desencontros programáticos de uma Grande Coligação

Em leitura:

Alemanha: Encontros e desencontros programáticos de uma Grande Coligação

Tamanho do texto Aa Aa

Na campanha eleitoral, sociais-democratas e conservadores dedicaram-se a encontrar as fraquezas programáticas do adversário, ao mesmo tempo que frisavam as vantagens de um voto na cor que defendiam.

O mandato inconclusivo do dia 18 de Setembro fez, no entanto, com que os dois principais adversários políticos germânicos fossem forçados a aliar-se numa grande coligação com enormes divergências. Um dos pontos comuns é o défice público e as estratégias para o fazer voltar a baixar dos 3% do PIB como definido no Pacto de Estabilidade. A Lista “Koch-Steinbruck”, que prevê a redução de diversas isenções fiscais, deverá sair da gaveta, mas a harmonia entre as duas forças neste campo termina aqui. A proposta conservadora de aumentar o IVA em dois por cento choca com a posição do SPD, tal como a fiscalidade sobre os altos rendimentos. Em termos fiscais, por enquanto, o acordo reside na redução do IRC de 25% para 19%. Esta é uma medida que visa dinamizar o emprego, o grande óbice da economia alemã. Neste campo, muito trabalho terá de ser feito para ultrapassar as divergências. É que os democratas-cristãos pretendiam aligeirar o processo de despedimento, enquanto os sociais-democratas querem manter as garantias laborais vigentes. No domínio da saúde, esta aliança de gigantes também não apresenta consensos.E o mais provável é que o actual sistema de descontos para a segurança social se mantenha. O SPD preconiza a criação de uma taxa em função dos rendimentos individuais.Os democratas-cristãos preferem impor uma contribuição fixa a ser paga mensalmente pelos contribuintes. Em termos de política externa, com uma chanceler conservadora, o eixo franco-alemão deverá arrefecer, as relações com Moscovo irão seguramente perder fulgor e, apesar de excluir por enquanto o envio de tropas para o Iraque, Angela Merkel deverá aproximar-se de Washington. Na questão turca, os dois partidos não podiam ser mais antagónicos.Angela Merkel inspirou a posição austríaca que defende uma parceria privilegiada com Ancara, enquanto Gerhard Schroeder foi um dos arautos da adesão da Turquia à União Europeia.