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Cáucaso: uma região atormentada

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Cáucaso: uma região atormentada

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O Cáucaso é palco de combates sem fim, há dois séculos. É um cruzamento de culturas e religiões, ponto de passagem obrigatório para comerciantes e soldados. Na era soviética, os problemas eram abafados e as rebeliões reprimidas. Depois, as escaramuças, revoltas e atentados, alastraram nesta região montanhosa. No Daguestão, as infiltrações dos comandos chechenos, apoiados por nacionalistas, são frequentes.

Cada vez que há um ataque terrorista na região, os olhos viram-se para a Tchechénia. A guerra, ali, parece estar em exportação: Daguestão, Ingúshia, Ossétia do Norte e, agora, Kabardino-Balcária, no Cáucaso russo. Grozni, hoje, prepara-se para umas eleições que podem ficar na história: no dia 27 de Novembro, os tchechenos escolhem os deputados. Mas é grande o cepticismo, principalmente após as contestações de 2003, por ocasião do referendo constitucional e das presidenciais. Ahmad Khadyrov, líder dos tchechenos, que era considerado um independentista moderado, depôs as armas e foi eleito em 2003, passando a integrar o regime criado por Moscovo. Foi assassinado um ano depois, num estádio em que se comemorava o fim da II Guerra Mundial. Os independentistas têm objectivos directos: os grupos islâmicos wahabitas, que têm aproveitado a instabilidade para tomar as rédeas do poder regional. Beneficiam dos esconderijos nas montanhas e da mentalidade tribal vigente. Estes grupos pretendem internacionalizar a questão tchechena para chocar a opinião pública, como aconteceu no hospital Budionnovsk, há 10 anos: um sequestro do pessoal hospitalar acabou por fazer 129 mortos, entre funcionários e pacientes. Mais recentemente, são os ataques ao teatro Dubrovka em Moscovo, e à escola de Beslan, na Ossétia do Norte. O Cáucaso está em ebulição e a Tchechénia não é a única causa. Os conflitos são frequentes mesmo nos países do Sul, que já obtiveram a independência, como a Geórgia, a Abkásia (que reivindica a sua independência, apoiada pelo Kremlin) ou Nagorno-Karabakh, reivindicado pelo Azerbeijão. As razões para a instabilidade têm muito a ver com poder, mas também com a instabilidade económica. O Norte do Cáucaso pretende dominar as rotas do petróleo do Mar Cáspio. Por isso, cada sabotagem aos oleadutos constitui uma chantagem. O que deixa a região em chamas.