Última hora

Última hora

Gripe aviária: corrida contra o tempo

Em leitura:

Gripe aviária: corrida contra o tempo

Tamanho do texto Aa Aa

Os investigadores fazem uma autêntica corrida contra o tempo para nos proteger do vírus H5N1, antes que este sofra uma mutação que o torne contagioso de homem para homem. Num ponto parecem estar todos de acordo: mais cedo ou mais tarde, haverá uma pandemia. Como diz John Watson, da Agência Nacional de Saúde do Reino Unido, “estas pandemias ocorrem a cada 20, 30 ou 40 anos. Por isso, devemos contar com elas e prepararmo-nos para lidar com a evidência. Resta saber se o que se passa se deve ao vírus da gripe aviária ou a uma variante completamente diferente dos vírus conhecidos”.

Os investigadores já chegaram ao ponto de calcular quantos mortos fará esta pandemia. Marc Van Ranst, especialista em virulogia, explica: “Em todos os cenários, temos de ter em conta que mais de 30 por cento da população ficará doente num período de 15 semanas. Se tomarmos como amostra as pandemias do século, como a de 1918, com a gripe espanhola, temos 20 a 30 milhões de mortos. Na altura, havia mil e oitocentos milhões de pessoas; agora, há seis mil milhões. Portanto, podemos multiplicar os números de então por três, tendo em conta que há melhores cuidados de saúde”. A medicina conta com medicamentos antivirais que podem, pelo menos, amortecer o impacto da pandemia. A Organização Mundial de Saúde aconselha os Estados a armazenarem esse tipo de remédios de forma a que cubram 25 por cento das necessidades nacionais. O mais famoso medicamento antiviral utilizado até agora, o Tamiflu, só é eficaz quando utilizado antes do contágio, e parece que uma estirpe do vírus H5N1 é resistente à substância oseltamivir, nele utilizado. Quanto à vacina, única protecção assegurada no combate a uma pandemia, as notícias não são melhores: para criar uma vacina são necessários meses de trabalho com o vírus. E mesmo a vacina contra a gripe comum suscita dúvidas: há que vacinar todos ou só as camadas mais frágeis da população? De qualquer maneira, a vacina não impede a pandemia.