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Iraque: sobreviventes de massacre de Saddam exigem justiça

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Iraque: sobreviventes de massacre de Saddam exigem justiça

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Dujail, no Iraque, é hoje palco de manifestações pela justiça em memória das vítimas de Saddam. O primeiro processo a ser julgado é o de crime contra a humanidade e de guerra, com a execução de 143 chiitas, em 1982.

A década de oitenta não foi boa para os chiitas iraquianos. Sob as ordens de Saddam, foram presos 1500 residentes de Dujail. Três anos depois, entre eles, foram escolhidos 143 (ou 225, segundo fontes actualizadas) – alguns deles, rapazes muito novos, e executados. A execução colectiva, que ocorreu em 1982, vai ser lembrada no primeiro julgamento de Saddam Hussein. Os que sobreviveram à tortura vão testemunhar a partir de hoje na sala de audiências de Bagdad onde o ditador será julgado numa dezena de processos. Haider Bare Abbas testemunha que 35 membros do seu clã foram executados. Não sabe quantos foram presos e desapareceram. Alguns foram soltos em 1986, mas outros nunca voltaram. Fam´lias inteiras foram detidas no campo de Nugrat. Só as mulheres e as crianças eram soltas. Os adolescentes ficavam. Uma das testemunhas, Um Ahmed, carrega as cicatrizes da tortura, vive com a asma crónica que apanhou. Mataram-lhe sete irmãos, prenderam a mãe, cega, e a irmã mais nova. Por isso deseja “que Saddam seja executado sete vezes”. Os sobreviventes de Dujail exigem a morte do tirano. Salah Kadhim Al-Mussawi viu a execução de quatro filhos que tinham obedecido à voz de prisão. Contou os dias até hoje, para ver Saddam ser julgado.