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Julgamento de Saddam divide Iraque

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Julgamento de Saddam divide Iraque

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O início do julgamento de Saddam Hussein fez esta manhã as manchetes da imprensa iraquiana. Jornais independentes ou afectos às comunidades xiita e curda anunciavam que tinha chegada a hora do tirano responder pelos crimes.

A imprensa sunita, pelo contrário, limitava-se a transcrever as notícias enviadas pelas agências. Com a abertura do processo, voltam a vincar-se as divisões no Iraque e o desejo de punir o anterior regime. Um habitante de Bagdade diz que, “se estivesse a ser julgado um cidadão iraquiano normal já teria sido executado seis vezes. O tribunal foi muito tolerante”. Outro inquirido afirma que “o julgamento é uma comédia, não é justo, nem fiável. Se fosse justo teriam sentenciado Saddam à pena capital, queremos ver Saddam executado.” Outros há que consideram o julgamento uma farsa devido à proximidade entre o poder judicial iraquiano e os ocupantes norte-americanos. “Este processo é uma fraude, porque uma autoridade que colabora com as tropas americanas não pode julgar um cidadão iraquiano. Este adiamento é falso, parece que estamos num filme.” Em Tikrit, de onde é originário Saddam Hussein, chegou mesmo a verificar-se uma manifestação de apoio ao deposto presidente iraquiano. Ontem, depois de dar início à audiência, o colectivo de juízes adiou o julgamento por 40 dias, para dar à defesa possibilidade de preparar melhor o processo. Uma decisão que foi vista em termos internacionais como uma mostra da imparcialidade do tribunal.