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Saddam Hussein: presumido inocente

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Saddam Hussein: presumido inocente

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Um ditador no banco dos réus julgado por um tribunal criado por norte-americanos e presidido por um juíz curdo. Foi com alguma incredulidade que os iraquianos assistiram ontem à primeira sessão do julgamento de Saddam Hussein, sem deixarem de recordar os crimes imputados ao antigo líder.

Como afirma uma mulher em Najaf, “o antigo ditador deixou-nos órfãos a nós e aos nossos filhos, matando os nossos homens”. Mas mesmo dois dias depois do Iraque referendar a primeira constituição democrática do país, Saddam não deixou de se apresentar como presidente pondo em causa a legitimidade do tribunal e recusando-se a responder às perguntas do juíz. Um silêncio interrompido apenas pela palavra “inocente” face às acusações,contra ele e outros oito antigos responsáveis do seu regime, relativas aoenvolvimento no massacre de 143 xiitas na aldeia de Doujaïl em 1982. Na pequena povoação, alvo da vingança de Saddam depois de uma tentativa frustrada de atentado, os habitantes pediam ontem a execução sumária do antigo ditador. Vinte e três anos depois do massacre, os familiares recordam a passagem devastadora, primeiro da polícia e depois dos bulldozers e reclamam que Saddam revele o local onde foram sepultados os corpos das vítimas. Após quase três décadas de ditadura apenas os habitantes da terra-natal de Saddam saíram às ruas, em Tikrit, para apoiar o antigo líder. A próxima sessão do julgamento foi adiada para dia 28 de Novembro, face à ausência das testemunhas e para dar resposta ao pedido dos advogados de Saddam,que exigiam mais tempo para preparar a defesa. Os magistrados criticam um processo redutor face às dezenas de crimes imputados a Saddam, e que deixa de fora as cumplicidades internacionais de que o regime deposto gozou durante décadas.