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Portugal cede a Moçambique a maioria de Cahora Bassa

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Portugal cede a Moçambique a maioria de Cahora Bassa

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A barragem de Cahora Bassa vai passar para controlo moçambicano, 28 anos depois do fim da construção.

Durante a visita de Estado do presidente moçambicano Armando Guebuza, o governo português chegou a acordo para ceder a maior parte do capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Portugal, que detém actualmente 82%, vai ficar com 15%. O Estado moçambicano vai ficar com os outros 85.

O acordo foi asinado quarta-feira pelo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e pelo ministro da Energia de Moçambique, Salvador Namburete. É o fim de muitos anos de negociação.

A barragem de Cahora Bassa, no rio Zambeze, na província do Tete, é a maior unidade de produção de energia hidroeléctrica de todo o continente africano e a quarta maior, a nível mundial, com uma capacidade de produção de 2000 megawatts e uma linha de transmissão de mais de 1900 quilómetros.

Foi uma das obras emblemáticas dos últimos anos do Estado Novo. As obras só terminaram depois da independência de Moçambique. A barragem estava operacional em 1979.

Mas a guerra civil fez estragos. As linhas foram destruídas e o gigante do Zambeze esteve sem funcionar durante 14 anos. Só em 1998, passados os tempos da guerra, a barragem voltou a funcionar em pleno. Actualmente, tem como principal cliente a companhia sul-africana Eskom.

Em contrapartida por esta entrega, Moçambique vai pagar 583 milhões de euros, a juntar aos 250 milhões pagos pela HCB. Ao todo, a companhia hidroeléctrica deve ao Estado português mais de dois mil milhões de euros, mas a maior parte dessa dívida vai ser perdoada.