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Violência urbana em Paris incontrolável

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Violência urbana em Paris incontrolável

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Os bairros periféricos de Paris vivem, pela oitava noite consecutiva, cenas de violência e de distúrbios: incêndios, assaltos a edifícios públicos, apedrejamento de autocarros e até disparos contra a polícia.

A cena mais grave registou-se na região de Seine-Saint-Denis, a noroeste de Paris. Perto de 40 jovens entraram num posto da polícia e destruíram tudo, depois incendiaram o local. As chamas também devastaram um concessionário automóvel e uma creche. Em Bobigny, na mesma região, a norte da capital, dezenas de jovens entraram num centro comercial e agrediram os lojistas, depois dirigiram-se à edilidade e queimaram um veículo à porta do edifício. Só na noite desta quinta para sexta-feira foram queimados pelo menos 400 automóveis, para além de um incêndio num estacionamento para autocarros, onde 27 veículos pesados foram destruídos. Um recorde. No entanto não houve confrontos entre a polícia e os grupos delinquentes. Tudo começou há uma semana, quando dois adolescentes morreram electrocutados. Os rumores indicavam que os jovens fugiam da polícia, o que foi desmentido. Numa intervenção no parlamenro, o primeiro-ministro Dominique de Villepin recusou aceitar que “grupos organizados façam as suas leis, que redes de criminosos prosperem com a desordem e que os mais fortes ganhem através da violência e intimidação”. Segundo a polícia, os distúrbios dos últimos dias reflectem uma delinquência organizada. Mas há quem vá mais longe e implique radicais muçulmanos nestas acções. Mohammed Hassi, imã da Grande Mesquita de Aulnay, em Seine-Saint-Denis, apelou aos habitantes e “irmãos” à calma, afirmou que “não é através da violência que se avança”. Este foi apenas um dos vários apelos à calma surgidos no dia em que acabou o Ramadão, mês sagrado dos muçulmanos.