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Ekmeleddin Ihsanoglu: "O Islão é uma religião de paz."

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Ekmeleddin Ihsanoglu: "O Islão é uma religião de paz."

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Ekmeleddin Ihsanoglu é o secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica. Criada em 1969, reúne 57 Estados membros, entre os quais o Iraque, o Irão, a Palestina e o Afeganistão. O objectivo desta estrutura é fortalecer a solidariedade e cooperação islâmica.

A EuroNews encontrou-se com o professor Ihsanoglu por ocasião da sua visita ao Conselho Europeu em Estrasburgo, aproveitando para fazer um ponto da situação sobre as relações entre a Europa e a comunidade islâmica. Ihsanoglu confirmou a vontade de enviar observadores para as eleições na Palestina em Janeiro, bem como para as eleições na Chechénia, mas sobretudo condenou todas as formas de terrorismo islâmico. EuroNews: “Os terroristas responsáveis pelos ataques em Londres nasceram na Grã-Bretanha… O que pensa que isto diz acerca da extensão da radicalização entre as comunidades muçulmanas da Europa?” Ekmeleddin Ihsanoglu: “É muito triste… Na carta que escrevi ao primeiro-ministro Tony Blair expressei a minha tristeza pelos acontecimentos. Nós condenamos o que se passou, condenamos todos os actos terroristas. Queremos que a opinião pública europeia saiba que o Islão é uma religião de paz. Não existe uma única doutrina ou quaisquer valores do Islão que ensinem a matar pessoas. Por definição, é proibido matar e se se mata alguém, comete-se um crime contra a humanidade. Aqueles pessoas que se oferecem para matar outras não têm nada a ver com o Islão. Nós denunciamos essas pessoas, elas não têm qualquer relação com o Islão e o mundo islâmico não tem nada a ver com elas. Essas pessoas usam o Islão porque pensam que é apelativo, e isso cria uma justificação para as suas acções. Isto é totalmente político…” EN: “O que é que a vossa organização está a fazer para combater e prevenir o terrorismo?” EI: “Convidamos as Nações Unidas, convidamos todas as organizações internacionais, incluindo a União Europeia e o Conselho da Europa, para agirem em conjunto, para terem uma definição de terrorismo e trabalharem em medidas internacionais de combate contra o terrorismo, porque ninguém, nenhum país ou instituição, pode lidar sozinho com isto, quando se transforma num fenómeno universal. E é universal! Não acontece apenas no mundo muçulmano, acontece no Sri Lanka, existiu durante anos na Irlanda e existe em Espanha. Vemo-lo em todo o lado. Por isso é infelizmente um fenómeno universal e exige um esforço universal coordenado de combate ao terrorismo.” EN: O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, propôs uma ideia chamada “Aliança das Civilizações”. O que pensa deste projecto que, na realidade, é uma ideia lançada pela Turquia e pela Espanha?” EI: “Durante anos, a “Aliança das Civilizações” foi uma das nossas principais actividades. A Organização da Conferência Islâmica foi a primeira entidade a promover o diálogo entre civilizações. As Nações Unidas, a pedido da OCI, declararam 2001 o ano do diálogo entre civilizações.” EN: “Os governos europeus estão à procura de um único interlocutor para a comunidade islâmica. Em França, por exemplo, existe o Conselho Islâmico. Como vê este processo, este tipo de experiência?” EI: “Temos que encorajá-la. E temos que fazê-lo desde que estes conselhos sejam representativos de todos os diferentes grupos. Penso que é uma solução para a melhoria das relações com as comunidades muçulmanas em países europeus como a França, Alemanha ou Inglaterra, onde essas comunidades são bastante alargadas.” EN: “O que mais pode ser feito para integrar as comunidades muçulmanas na Europa?” EI: “Penso que, primeiro que tudo, é preciso uma melhor compreensão e respeito. Respeito e entendimento: se existirem, numa base mútua, penso que não haverá problema que não tenha solução.” Os novos desafios do Islão são o tema da cimeira islâmica extraordinária que terá lugar em Meca a 7 e 8 de Dezembro.