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PS francês assume divergências e reflecte no futuro

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PS francês assume divergências e reflecte no futuro

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O referendo francês sobre a Constituição Europeia acabou por causar mais estragos na oposição socialista do que no círculo próximo de Chirac – o presidente promoveu o referendo e perdeu-o. No dia seguinte, o líder socialista, François Hollande, tentava evitar o debate interno:

“Os socialistas não devem encarar esta consulta como um problema para eles. Fizeram uma escolha corajosa, fizeram-na democraticamente”. Hollande está à frente do PS desde o congresso de Brest, há oito anos: Lionel Jospin acabava de ser nomeado primeiro-ministro. Mas foi só depois da sua retirada que Hollande se tornou patrão do partido. Assumiu não gostar de romper com nada naquilo que administra. Mas herdou uma situação de conflito e é necessária alguma reinvenção e orientação política. Em Itália, Romano Prodi, organizou eleições primárias em todo o país, que fizeram dele um verdadeiro candidato da coligação para enfrentar Berlusconi. Na Alemanha, a ala esquerda manteve-se quieta para que o SPD elegesse um novo líder, que o partido confirmou com ambições de reforma na “grande coligação” governamental. O professor Pascal de Witt da Universidade Livre de Bruxelas diz que “quanto ao partido socialista francês há elementos ligados ao contexto francês. A França quer assumir, e assume, uma singularidade que é tudo menos retórica: a República é um serviço público à francesa. Na sua cultura política e histórica tem dois elementos importantes: uma conflitualidade marcante e uma hostilidade primária ao liberalismo em todas as suas dimensões, principalmente, ao liberalismo económico”. A prova disto foi dada pelo referendo à Constituição Europeia: Laurent Fabius deu uma orientação de voto contrária à estabelecida pelo partido e foi expulso da direcção. E criticado publicamente. Dominique Strauss Khan, por exemplo, sublinhou que o PS não tem de andar a reboque da extrema-esquerda. Arnaud Montebourg, líder de uma forte corrente dentro do partido socialista, NPS, questiona o que é ser socialista numa economia globalizada onde ninguém acredita em política? É um assunto fundamental. Por enquanto, a liderança de François Hollande não está ameaçada: os delegados aplaudirão uma vez mais, como fizeram aquando da derrota de Jospin e depois do veto no referendo. Há no entanto que procurar o consenso das bases para escolher um candidato às presidenciais de 2007.