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Negociações para o estatuto final do Kosovo

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Negociações para o estatuto final do Kosovo

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O Conselho de Segurança da ONU decidiu abrir as negociações para o estatuto final do Kosovo no passado dia 24 de Outubro. O relator especial da ONU, o norueguês Kai Eide, deu luz verde ao início das conversações, apesar de se constatarem no terreno muitas fragilidades democráticas e económicas, assim como actos de violência étnica.

Kai Eide defende: “Acredito, sinceramente, que chegou o tempo de iniciar o processo do futuro estatuto. Desde o ano passado que há progresso político e também se nota maior envolvimento internacional. Agora, nada pode deter o processo”. Desde 1999 que o Kosovo é administrado pela ONU. As tropas da NATO ocuparam a província sérvia depois da guerra, entre Março e Junho desse ano, para impedir mais violências étnicas. Em Outubro, de 1999, Mitrovica tornou-se o símbolo da divisão: de um lado os albaneses, que constituem 90% da população e foram privados de autonomia durante o regime de Milosevic; do outro os sérvios, em minoria mas comportando-se como os proprietários da região que consideram berço da nação sérvia. As negociações do futuro estatuto assentam em quatro princípios básicos: não haverá regresso possível à situação que se viveu até 1999; o Kosovo não se pode unir a nenhum Estado vizinho; não pode ser dividido e as minorias serão protegidas. A comunidade albanesa exige a independência e soberania do Kosovo e foi isso que transmitiu ao enviado especial da ONU, Marti Ahtissaari. Essa perspectiva assusta os sérvios do Kosovo, que apenas pedem, para já, mais segurança e não se inclinam, de todo, para a independência. Ahtissaari tem 12 meses para conseguir um compromisso entre ambas as partes e o governo de Belgrado.