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A estratégia de Blair para um acordo orçamental

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A estratégia de Blair para um acordo orçamental

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“Tive vergonha. Vergonha de ouvir os novos Estados membros, cada um mais pobre do que o outro, dizer que, a bem de um acordo, estavam dispostos a renunciar a uma parte das suas exigências financeiras. Tive vergonha”. Foi assim que Jean-Claude Juncker resumiu o fracasso das negociações sobre o orçamento comunitário. Estávamos em Junho e o então presidente da União tinha vergonha.

Um sentimento que outros, depois dele, não parecem ter. Afinal, o orçamento proposto por Tony Blair prevê exactamente aquilo que envergonhava o primeiro-ministro do Luxemburgo: o sacrifício dos países mais pobres.

Blair quase não mexe no cheque britânico e adia para 2008 novas discussões sobre o assunto e sobre a PAC, mas vai cortar nos fundos estruturais. A proposta prevê, para o período entre 2007-2013, 296 mil milhões de euros de ajudas regionais, 150 mil milhões dos quais vão para os dez novos membros: sobretudo para a Polónia (54 mil milhões), a República Checa (23 mil milhões) e a Hungria (22 mil milhões). No total, são menos 14 mil milhões do que a proposta luxemburguesa de Junho.

Para convencer os novos membros a aceitarem menos verbas, Tony Blair propõe, em contrapartida, mais flexibilidade no acesso ao dinheiro. Por exemplo, Bruxelas passa a pagar 85% das obras estruturais, em vez dos actuais 80 por cento; os Estados membros podem usar as verbas para a construção de habitação; e, no caso das grandes obras, têm três anos para usar os fundos de coesão, em vez de apenas dois.

Uma cartada jogada na recta final por Londres mas que, pode, dada a pressão, permitir um acordo no próximo dia 15 de Dezembro.