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UE/USA: voos secretos da CIA envenenam relações

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UE/USA: voos secretos da CIA envenenam relações

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Os voos secretos da CIA para transporte de suspeitos de terrorismo com escala em aeroportos europeus, fizeram manchete em toda a imprensa europeia. Agravando o fosso ideológico entre a Europa e os Estados Unidos, soube-se ainda que pode haver prisioneiros islamitas sob tortura em bases militares norte-americanas no Velho Continente. Condoleezza Rice viu-se obrigada a justificar assim a visão norte-americana da luta contra os terroristas:

“Muitos são extremamente perigosos, e outros possuem informações que podem salvar milhões de vidas. Os terroristas capturados neste século XXI não cabem facilmente nos sistemas tradicionais de justiça penal ou militar designados para as diferentes necessidades. Temos de nos adaptar”. E é aqui que reside a diferença de concepção do assunto entre americanos e europeus. Desde o 11 de Setembro que os americanos vêem a ameaça iminente e adoptam todos os meios para se protegerem, nomeadamente, “atropelando” a legalidade. Mas a existência de prisões secretas, de prisioneiros sob tortura e sem acusação formada e de utilização de aeroportos europeus para tais fins são ilegais na Europa. O presidente da Roménia, um dos países sob suspeita, defendeu-se desta forma aos microfones da Euronews, no mês passado: “Não temos desse género de instalações da CIA na Roménia e não estamos preparados para aceitar que alguém fale sobre isso. As pessoas têm de saber do que falam”. A Roménia, candidata à União Europeia, e a Polónia (já membro) cooperaram com os Estados Unidos na guerra contra o Iraque. Em Bruxelas, o Comissário para a Justiça, Franco Frattini, lembrou, a propósito, o princípio comunitário: “Se for provado que um membro ou um candidato à União permita ou tenha permitido a existência dessas prisões no seu território, temos o direito de declarar a séria violação dos tratados europeus”. A Amnistia Internacional confirmou hoje algumas suspeitas: 800 voos de aviões na Europa foram fretados pela CIA para transportar prisioneiros suspeitos de terrorismo, entre 2001 e 2005, provenientes do Afeganistão, Marrocos, Dubai, Jordânia e mesmo do Azerbaijão.