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Atentados no Líbano revelam pressões na investigação à morte de Hariri

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Atentados no Líbano revelam pressões na investigação à morte de Hariri

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O assassínio de Tueni foi o último de uma série mortífera de atentados no Líbano, depois da morte de Rafic Hariri. Todos visaram personalidades ou interesses cristãos. Este foi o segundo atentado contra um jornalista anti-sírio, depois do assassínio de Samir Kassir em Junho.

Nesse dia, o malogrado jornalista e deputado libanês Gibran Tueni denunciava: “esta é uma mensagem para todo o Líbano, para a liberdade de imprensa no Líbano e para os que crêem nela. É uma mensagem enviada pelo governo sírio, totalitário, e pelos agentes sírios no Líbano”. O atentado ocorreu horas antes da apresentação do relatório da ONU sobre a a morte de Hariri. O juiz alemão que dirigiu a investigação, Detlev Mehlis, conta “com uma cooperação total e incondicional da Síria” para prosseguir o inquérito, que já não contará com ele no futuro. “A má notícia é que o meu mandato termina a 15 de Dezembro, a boa notícia é que o Conselho de Segurança concordou em continuar com a comissão”. Detlev Mehlis foi ameaçado ou terão sido ameaçados os interesses alemães na região? Desconhecem-se os motivos da demissão mas sabe-se que os sucessores não se deixarão abalar. O inquérito prossegue mais seis meses, a pedido do chefe da comissão demissionário e das autoridades libanesas. Até aqui, foram detidos quatro oficiais do Exército do Líbano, pró-sírios, no âmbito da investigação da morte de Hariri, acusados de organizarem o complot que levou à sua morte. Mas também foram implicados altos militares sírios…na Áustria, foram ouvidos cinco responsáveis militares dos serviços de informação sírios no Líbano. A Síria tem cooperado nestas investigações, mas à medida que sobem as patentes dos suspeitos, as dificuldades são maiores. O presidente sírio, Bachar Al Assad denunciou as pressões alegadamente sofridas por uma testemunha no sentido de assinar confissões falsas. E acusa a comissão da ONU de ter ratificado os erros feitos. “A verdade ilibará a Síria”, proclamou. Bashar Al Assad respondia assim às questões dos jornalistas, ainda antes de terem sido avançadas as primeiras conclusões do inquérito da comissão e antes da saída de Mehlis. Às pressões da ONU para a Síria prender os responsáveis no seu território, Bassad adeverte para o perigo de destabilização da região.