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Como funciona o "cheque britânico"

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Como funciona o "cheque britânico"

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O chamado “cheque britânico” está sempre no centro dos debates sobre o orçamento comunitário. Mas, depois do alargamento da União, esta vantagem, alcançada por Margaret Thatcher em 1984, está, cada vez mais, na ordem do dia. Londres e Paris são os principais adversários desta batalha que assume dimensões europeias. Na altura, o Reino Unido era um dos países mais pobres da União mas também um dos que mais contribuía para o orçamento comunitário.

Por isso, conseguiu este reembolso que, actualmente, diz o analista Jorge Nuñez, já não tem razão de ser: “O mecanismo não previu o facto de que o país podia enriquecer e esse foi um dos maiores erros. Por outras palavras, quando mais Londres paga, mais recebe. Porque o cheque representa 66% da contribuição líquida. E Londres paga mais porque é mais rica, e isso é normal segundo as regras da solidariedade: quando mais rico se é, mais se contribui para o orçamento. No caso do Reino Unido, quando mais ricos ele é, mais dinheiro recebe de volta.”

Em 2003, o Reino Unido contribuiu com mais de 13 mil milhões de euros para o orçamento comunitário. Em fundos europeus recebeu seis mil milhões. O que significa que teve uma contribuição líquida de quase sete mil milhões de euros. O cheque britânico é de 66% dessa quantia, ou seja, 4,6 mil milhões de euros.

Este reembolso foi um mecanismo concebido na década de 80 para compensar o facto de que, na altura, o Reino Unido não recebia praticamente, nenhumas ajudas à agricultura – contrariamente à França que era, e continua a ser, o principal beneficiário da PAC.

“Chamo à PAC o reembolso francês, é um bocado provocador, mas é parecida, no sentido de quem recebe os benefícios. Na minha opinião”, diz o mesmo analista, “a França recebe verbas desproporcionadas da riqueza do país. Afinal, é um dos países mais ricos.”

Na batalha orçamental, todos têm de fazer concessões. Sobretudo porque os países pobres do Leste não percebem porque hão-de financiar os membros mais ricos do bloco, como a França e o Reino Unido.