Última hora

Última hora

PAC: o outro tema europeu de discórdia

Em leitura:

PAC: o outro tema europeu de discórdia

Tamanho do texto Aa Aa

A Política Agrícola Comum (PAC) tem estado sob fogo cruzado, no interior e no exterior da União Europeia. Pelo menos desde Junho que a presidência britânica tenta pôr-lhe fim, alegando que se trata de uma política fora de moda e que o futuro da Europa está no desenvolvimento tecnológico. O analista Paul Magnette, director do Instituto de Estudos Europeus, não é da mesma opinião:

“A política agrícola está em reforma permanente e o seu orçamento diminui constantemente de ano para ano. Mais, continua e continuará provavelmente a ser uma das principais políticas, porque não é apenas uma política do passado, é também uma política de modernidade e de desenvolvimento tecnológico na agricultura de hoje: as novas normas de qualidade, a segurança alimentar, os novos modos de produção…” Segundo Tony Blair, a PAC favorece apenas alguns países, especialmente a França, em detrimento de outros Estados, como o próprio Reino Unido. No entanto, o Reino Unido é, apesar de tudo, o quinto maior beneficiário da PAC, a seguir à França, à Espanha, à Alemanha, e à Itália. De acordo com o director do European Policy Center, John Palmer, o Reino Unido não tem muita razão de queixa porque “Na realidade, se contabilizarmos o lucro per capita de cada exploração agrícola, cada agricultor britânico beneficia muito mais do que os agricultores franceses. Porquê? Porque os agricultores britânicos têm grandes propriedades, as maiores da Europa, algumas delas pertencem à realeza e à aristocracia. Mas como são menos numerosos, em comparação com outros países, o fluxo total de dinheiro que vai para o Reino Unido é menor”. Mas há quem não concorde e compare a PAC ao cheque inglês, como é o caso do analista Jorge Nuñez que chama à PAC “o reembolso francês. É um bocado provocador, mas é parecido no sentido de quem recebe os benefícios. Na minha opinião, a França recebe verbas desproporcionadas em relação à riqueza do país. Afinal, é um dos países mais ricos.” Em 2002, a França e a Alemanha conseguiram convencer todos os Estados membros de que a PAC só será revista em 2012. O próprio Reino Unido aceitou o acordo, mas agora não lhe resta outra alternativa se não voltar atrás.