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Antonio Fazio deixa Banco de Itália

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Antonio Fazio deixa Banco de Itália

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O governador do Banco de Itália, Antonio Fazio, demitiu-se, a poucas horas de uma reunião do governo italiano que se destinava a reduzir o mandato e a precipitar esta decisão.

Há vários meses que Fazio vinha sendo pressionado para deixar a direcção da mais alta instituição financeira italiana. De todo-poderoso governador vitalício, passou rapidamente a alvo a abater.

O escândalo rebentou no último Verão. Antonio Fazio, ao leme do Banco de Itália, tinha apoiado a ofensiva da Banca Popolare Italiana para o controlo do Antonveneta e tinha mesmo divulgado informações confidenciais, o que levou vários sectores da política, incluindo membros do Governo e, a pedir a demissão do governador. O próprio presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, que antes defendia Fazio, passou a ter um tom mais crítico.

A gota de água que fez rebentar o copo foi a prisão do amigo pessoal Gianpiero Fiorani, o antigo patrão da Banca Popolare Italiana. Preso juntamente com o ex-director financeiro, enfrenta várias acusações, incluindo especulação abusiva e uso de informação priveligiada.

Fioraini tinha sido o arquitecto da proposta da Banca Popolare Italiana para comprar o Antonveneta, um banco mais pequeno sediado em Pádua, e neutralizar assim a oferta do holandês ABN Amro. Mas a estratégia, apoiada por Fazio, estava alegadamente minada de ilegalidades.

A posição do então governador vitalício ficou enfraquecida quando foi divulgada uma conversa telefónica comprometedora que manteve com Fiorani.

A Banca Popolare acabou por recuar, o que fez com que o ABN Amro se tornasse no primeiro grupo estrangeiro a ober o controlo de um banco italiano, um cenário que o Banco de Itália tentou sempre impedir.

A carreira deste economista, diplomado do MIT e antigo aluno de Paul Samuelson, chega ao fim aos 70 anos, pelo menos no que toca ao desempenho de altos cargos públicos.