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Rússia utiliza gás como forma de pressão política sobre a Ucrânia

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Rússia utiliza gás como forma de pressão política sobre a Ucrânia

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A nuvem negra que ensombra as relações russo-ucranianas já vem da época da Revolução Laranja. Muitos, na Ucrânia, consideram mesmo que por detrás da decisão russa sobre o gás está uma vontade de apoiar o campo adversário ao poder de Kiev, a poucos meses das eleições legislativas. Moscovo responde que está no seu direito e que a emancipação tem um preço. Quem não tem meios não tem sonhos com a economia de mercado.

Mas a Ucrânia não será o único país atingido. Uma deputada russa perguntou, na Duma, ao ministro da Energia se a Rússia tenciona aumentar os preços aos países bálticos, à Geórgia e a Moldávia. A resposta foi um curto e inequívoco… Sim! A Ucrânia recebe, até agora, 25 mil milhões de metros cúbicos de gás russo em pagamento pelo tansporte, pelo seu território, do gás russo para a Europa. A base de cálculo é de 50 dólares (42 euros) por mil metros cúbicos. Moscovo quer aumentá-la para 230 dólares (194 euros), a partir de Janeiro de 2006. No entanto, a Bielorrússia continua a pagar os mesmos 47 dólares por mil metros cúbicos. “Há claramente um factor político em tudo isto. Os países que não têm uma relação com o Kremlin como Moscovo queria vêem o preço do gás aumentar”, diz o director do Centro de Estudos Ucranianos. A Ucrânia pode bem reclamar o seu direito a uma parte do gás por deixá-lo passar no seu território, mas é apenas uma questão de tempo. Com o acordo germano-russo de construção de um novo gasoduto, a Rússia pode, dentro de alguns anos, passar bem sem este compromisso. Mas, por enquanto, a resposta ucraniana é de força. “A nossa economia tem que aproximar-se dos padrões europeus, por isso teremos também que falar do preço do aluguer da base de Sebastopol para a frota russa”, afirmou o presidente Iuschenko. O aluguer custa à Rússia 98 milhões de dólares por ano mas, se o gás for bloqueado, Kiev ameaça fazer subir o preço aos 2,5 mil milhões de dólares anuais, rompendo um contrato firmado até 2017. Um braço-de-ferro que ameaça pôr em causa as próprias fronteiras. A península da Crimeira foi oferecida à Ucrânia, em 1954, por Nikita Krutchev, e o acordo sobre o aluger da base à frota russa faz parte do mesmo tratado em que está consagrado o reconhecimento e a inviolabilidade das fronteiras.