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A Rússia transforma Gazprom em arma política

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A Rússia transforma Gazprom em arma política

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Um aperto de mão selou o acordo que abre uma trégua na guerra do gás entre a Rússia e a Ucrânia. O compromisso firmado sobre o preço do gás natural surge depois de várias semanas de um conflito mediático, logo que a Europa sentiu os primeiros efeitos da decisão russa de fechar as torneiras à vizinha Ucrânia.

A Gazprom anunciou ter conseguido um entendimento com a ucraniana Naftogaz para os próximos cinco anos. O preço negociado, depois de uma longa maratona entre as delegações dos dois países, entra em vigor imediatamente, segundo anunciou o presidente da petrolífera russa, Alexei Miller. O contrato russo impõe aos ucrânianos 230 dólares por cada 1000 metros cúbicos, ou seja 190 euros, mas permite a Kiev pagar apenas 95 dólares quando misturado com o gás proveniente da Ásia Central. Oitenta por cento das condutas russas para exportação de gás para a Europa passam por território ucraniano. Por este trânsito a Rússia vai pagar a partir de agora 1,6 dólares por cada 1000 metros cúbicos, contra 1,09 que vigorava até então. O compromisso entre a Gazprom e a Naftogaz parece satisfazer ambas as partes e salva a face aos dois vizinhos. O gaz do Turquemenistão que Moscovo acusava Kiev de ter roubado é agora considerado como aquisição legal. O Presidente Vladimir Putin felicitou o responsável da Gazprom por esta vitória declarando acreditar que terá uma influência positiva sobre as relações russo-ucranianas. A firmeza demonstrada nesta crise deixa antever as ambições do Kremlin em fazer da Gazprom o número um Mundial no sector do gás, uma arma para recuperar parte do poder perdido com o afundamento da antiga União Soviética.