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Israel: e quando Sharon não estiver?

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Israel: e quando Sharon não estiver?

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Sharon entrou como se nada fosse no conselho de ministros do dia 25 de Dezembro. Tinha tido uma primeira embolia cerebral, aparentemente sem sequelas, no dia 18. Até brincou sobre o assunto. Mas agora, parece que a era de Sharon chegou ao fim, deixando o país na maior incerteza política.

Há um ano, o primeiro-ministro confirmava a reputação de homem político determinado e corajoso: o Parlamento aprovava o seu plano de retirada unilateral de Gaza após 38 anos de ocupação. Um autêntico terramoto que provoca uma crise no governo. Habituado, o primeiro-ministro há-de ultrapassá-la, mas o o partido ao qual aderiu na década de 70, o Likud, não o consegue. O homem que dominou a vida política de Israel nos últimos cinco anos faz, mesmo, uma aposta arriscada: a 21 de Novembro de 2005 solicita ao presidente, Moshe Katsav, a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas. Algumas horas mais tarde, deixa oficialmente o Likud e apresenta o seu novo partido, o Kadima. A nova formação tem uma vantagem: a enorme popularidade do primeiro-ministro. Cumpre o que promete, o que inspira confiança ao eleitorado israelita. O Kadima deve obter, pelo menos, 40 dos 120 assentos parlamentares nas legislativas de Março. O carismático líder tinha estabelecido, finalmente, um elo com a maioria dos israelitas partidários de uma solução pragmática do conflito com os palestinianos: “Sharon, que veio com outros 14 membros do Likud, percebeu que “real politik” exige a criação de fronteiras defensáveis e o abandono da ideia de um Estado de Israel maior” O desaparecimento político de Sharon deixa o Kadima orfão. Há agora que escolher entre Ehud Olmert, actual vice-primeiro-ministro e favorito; Tzipi Livni, ministra da Justiça; e Shaul Mofaz, ministro da Defesa. Ou ainda o antigo primeiro-ministro Shimon Peres. A vitória eleitoral do Kadima é incerta. E mesmo se ganhar sem Sharon ao leme, resta saber se a retirada unilateral da Cisjordânia se vai cumprir.