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"Nem só de pão vive o homem", diz o rival do presidente cessante bielorrusso

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"Nem só de pão vive o homem", diz o rival do presidente cessante bielorrusso

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O líder da oposição democrática biolorrussa, Alexandre Milinkiévich, aposta em acabar com aquela que considera “a última ditadura da Europa, através da derrota de Alexandr Lukashenko, nas eleições presidenciais.

Alexei Doval, jornalista da EuroNews, entrevistou Milinkévich em exclusivo. Como o candidato reúne o apoio de toda a oposição mas não consegue divulgar qualquer promessa eleitoral, crítica ou mesmo apresentação à imprensa, deu a conhecer-se numa visita oficial à Polónia e a França. EuroNews – “Seja benvido, senhor Milinkévich. Qual é o objectivo da sua visita a França?” A.Milinkevich – “O nosso principal objectivo é fazer com que a França não seja afastada da vida comercial da Bielorrússia, apesar de haver graves problemas em relação à democracia. A França é um país muito influente na União Europeia e nós esperamos a sua ajuda. Já temos a ajuda moral, mas precisamos da ajuda dos Media independentes. Os Media do Estado bielorrusso estão conmpletamente controlados, tornaram-se, há muito, instrumentos de propaganda. Nestas condições, é muito importante apoiar edições independentes. É necessário desenvolver programas para a juventude, é preciso fazer as coisas de modo que não haja mais repressões na Bielorrússia, que se respeitem os direitos das pessoas e se façam eleições democráticas.” E – Como é que a Europa pode ajudar a democratizar a Bielorrússia? A.M.- “Por exemplo, durante as eleições, enviará observadores. A Europa velará por elas, se respeitamos as leis ou não. A Europa não pode ficar indiferente com o que se passa num país limítrofe… de facto, somos vizinhos da UE. Às vezes diz-se que a situação na Bielorrússia é tranquila e que não perciso fazer nada por lá. Na verdade, nos países que vivem em ditadura as coisas não se passam calmamente, nada é estável, as piores surpresas podem surgir de repente. Por isso é tão importante que a Bielorrússia se torne um país democrático”. E – O seu principal rival, Loukachenko, amedronta continuamente os eleitores, dizendo, por exemplo, que a vida pára quando ele deixar de ser presidente. No caso de ganhar, como mudará a vida dos bielorrussos? A.M.- “Se esta candidatura ganhar, vamos acabar com o medo. Porque as humilhações pelas quais os bielorrusos passam, vivendo numa atmosfera de medo de afronta à dignidade, são o cerne de todos os problemas. Tranquilizaremos os pais de família para que não temam que o seu salário seja insuficiente para alimentar a família, as mães de família, para que não temam o futuro dos filhos, os homens de negócios para que não temam investir, nem os estudantes continuarão a temer Chernobil. O problema do medo na Bielorríssia é muito sério, mas nós acabaremos com ele”. E – Vista da Europa, a sociedade parece equilibrada. Não há guerra nem conflitos étnicos, os trabalhadores recebem os salários atempadamente, o que é preciso mudar? A.M – “Nem só de pão vive o homem. É verdade que não há fome na Bielorrússia, mas as pessoas ganham mal, vêem as montras mas pouco compram pois os preços são elevados. E as humilhações de que falei são terríveis, é preciso suprimi-las. Uma pessoa sem liberdade não pode criar, não pode ser verdadeiramente rica. E o objectivo é esse. Não há sítio mais tranquilo do que o cemitério mas quem é que deseja uma tranquilidade assim?O poder é pela estabilidade, mas nós somos pelo desenvolvimento. Sabemos onde é preciso ir e o que é preciso fazer para que as pessoas vivam em liberdade. Vamos promover boas relações com a Rússia, abertas e honestas, assim como com o Ocidente. A Bielorrússia é a ponte entre o Leste e o Ocidente. Essa é a nossa vantagem geográfica e vamos servir-nos dela”. E. – Imaginemos que as eleições já foram feitas, e os resultados anunciam a vitória de um tal Loukachenko como presidente. Que se passará a seguir? A.M. – “Sei que o poder já não pode ganhar eleições “honestas”, porque as eleições não são apenas a contagem dos votos, mas também a preparação dos escrutínios. Não chegámos à televisão do nosso país. Graças a Deus que vocês nos convidaram. Não nos batemos em igualdade de circunstâncias. Se assim fosse, o regime actual nunca ganharia. É disso que tem medo, intimida as pessoas mas tem medo de si mesmo”. E- Dizem de si muitas coisas diferentes, nomeadamente, acusam-no de ser dos serviços secretos ocidentais, judeu e católico, e que tenta acabar com os princípios religiosos da Bielorrússia. Que pensa disso? A.M. – “Que é uma absoluta mentira. E o poder, quando mergulha na incerteza, inventa constantemente novas histórias. Chamar-me agente do Ocidente é simplesmente ridículo. Sou um patriota da Bielorrússia, amo o país e por isso me candidato. Sou da família ortodoxa. Não sou judeu mas sim bielorruso. Vocês percebem, o povo compreende, há muito tempo, o que é verdade e o que não é.”.