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Prisão de Guantánamo faz quatro anos

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Prisão de Guantánamo faz quatro anos

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Baptizado campo “Raios-X” (X-Rays) há quatro anos pelo exército norte-americano, hoje em dia ninguém sabe o que se passa por trás das suas grades, montadas na baía de Guantánamo, em Cuba.

O campo foi criado para isolar os suspeitos de terrorismo, logo após os ataques de 11 de Setembro. Apenas a Cruz Vermelha pode aceder sem restrições à prisão, mas de quatro em quatro ou de seis em seis semanas. A Amnistia Internacional divulgou esta quarta-feira um relátório. Dos três detidos entrevistados todos falaram de violência, tortura ou humilhações infligidas pelos militares dos Estados Unidos. Serão 500 os prisioneiros em Guantánamo. A Amnistia continua: muitos dos detidos em Cuba foram raptados ou feitos prisioneiros no Afeganistão, Egipto ou Paquistão e levados para Cuba. Sem acusações formalizadas, sem comunicações com o exterior. Tornam-se em números clandestinos, secretos. Antigo prisioneiro de Guantánamo, Moazzam Begag, num entrevista em Novembro, afirmou que “o pior é quando se vive num limbo, é pior do que as torturas. Pior do que ser espancado, pontapeado na cara ou privado de roupas, pior do que ser enviado para o Egipto, onde se é torturado, ou pior do que receber choques eléctricos nos testículos, é pior do que tudo isto”. Pressionada pela comunidade internacional, que questiona a legalidade das detenções em Guantánamo, Washington libertou alguns prisioneiros e criou um tribunal militar para os julgar. Mas a Casa Branca continua a rejeitar os recursos feitos em tribunais civis. O Coronel Morris Davis sai em defesa de Washington. Afirma que esses detidos foram presos porque queriam destruir a carta dos direitos humanos. “Nós fazemos uma ginástica imensa para garantir que eles têm acesso a esses mesmos direitos, o que acaba por ser irónico”. A justiça em Guantánamo rege-se pelo que se chama de “acusação dos inimigos combatentes”. Em nome da guerra contra o terrorismo, Washington resiste a todas as pressões. Os 81 detidos em greve de fome são, de acordo com ONG’s, alimentados artificialmente, para não morrerem. Há vários dias que iniciaram a greve. Impossível confirmar, tal como tudo o resto em Guantánamo. Um enorme segredo de Estado na guerra dos norte-americanos contra o terrorismo.