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Desaparecimento de Rugova deixa vazio de poder no Kosovo

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Desaparecimento de Rugova deixa vazio de poder no Kosovo

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O combate contra um cancro impediu-lhe de concretizar a grande luta da sua vida: a independência do Kosovo.

Ibrahim Rugova tinha 61 anos. Na última década e meia tinha-se tornado o símbolo da vontade de autonomia da população albanesa face à Sérvia. Apelidado de “Ghandi Albanês”, defendeu a resistência pacífica ao criar um governoparalelo no Kosovo durante os anos noventa, enquanto a Croácia e a Bósnia eram consumidas pela guerra. Um aperto de mão com o então presidente sérvio Slobodan Milosevic, em 1998, acabaria por marcar o início da divisão no Kosovo entre a estratégia de diálogo de Rugova, e a estratégia da guerra do Exército de Libertação do Kosovo, UçK. Mesmo acusado de traição volta a ganhar a confiança dos kosovares no final da guerra em 2002, tornando-se o primeiro presidente eleito do território. Em 2004 é reeleito depois de um braço de ferro com os antigos líderes do UçK convertidos à política. O presidente do Parlamento, Nexhat Daci, assume agora interinamente as rédeas do poder, mas a questão da sucessão de Rugova ameaça reabrir as feridas do passado. O até agora chefe de Estado não deixa um número dois para seguir os seus passos e defender a independência do Kosovo nas conversações internacionais. O segundo homem mais popular do Kosovo é Ramush Haradinaj, um antigo guerrilheiro e antigo primeiro-ministro que aguarda julgamento por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional. O vazio deixado pela morte de Rugova pode originar uma luta interna entre os vários partidos kosovares, menos moderados e sobretudo menos carismáticos do que o chefe de Estado para liderar as conversações sobre a independência do Kosovo.