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Funeral de Rugova: o Ghandi dos Balcãs

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Funeral de Rugova: o Ghandi dos Balcãs

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Muitos milhares de pessoas prestaram uma última homenagem ao mais acérrimo defensor da paz e da união no Kosovo. O cortejo fúnebre de Ibrahim Rugova desfilou durante horas da Sala Primeiro de Outubro, no Parlamento, até ao cemitério dos Mártires, perante kosovares de todas as etnias e religiões. Estiveram presentes 40 delegações internacionais.

O funeral não seguiu qualquer rito religioso por vontade expressa do líder histórico. Ibrahim Rugova foi eleito em Março de 2002 como o primeiro presidente do Kosovo, uma província autónoma da Sérvia administrada pela ONU. Tinha prometido deixar de usar a sua écharpe, que o caracterizava tão bem, no dia em que o território fosse independente. Curiosamente, a sua doença e morte provocaram o adiamento, para Fevereiro, da discussão do estatuto da província, sob mediação da ONU, em Viena. A sua morte provoca um vazio no poder. O presidente do Parlamento, Nexat Daci, foi nomeado chefe interino. Mas, até ver, ninguém tem o carisma do pacifista que logrou conter os mais radicais neste território onde a NATO mantém 17 mil homens, para impedir que se repitam os actos de violência de 1999. Rugova era considerado o pai da Nação pela maioria de albaneses do Kosovo. Era um homem de Estado sem um verdadeiro Estado, era o Ghandi dos Balcãs.