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Hamas face à difícil escolha entre luta armada ou luta política

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Hamas face à difícil escolha entre luta armada ou luta política

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Qual o caminho que vai seguir agora o Hamas? É a questão que todos se colocam após a entrada em força do grupo radical na vida política palestiniana, dez anos depois de ter boicotado as primeiras eleições legislativas.

O Hamas faz parte das listas de organizações terroristas dos Estados Unidos e União Europeia. Em Agosto festejou a retirada israelita da Faixa de Gaza como sendo o resultado de quase duas décadas de luta armada. Porém, na campanha eleitoral as armas desapareceram e as declarações foram ponderadas, sobretudo, em relação à destruição de Israel e ao incitamento à violência. Mas o Hamas não deixou de defender a resistência armada à ocupação israelita e os seus mártires foram uma das imagens de campanha. Uma das candidatas do partido é mãe de um “kamikaze” e de uma vítima de um raide israelita. Mariam Farhat afirma que as negociações não fazem parte da agenda do Hamas e garante que não estão dispostos a obter fracassos, pois “durante anos a Autoridade Palestiniana negociou com o inimigo e não concretizou nada”. A actual vitória do Hamas é o resultado de um longo e intenso trabalho social junto de uma população pobre, desamparada e desiludida com o Fatah e a corrupção. No entanto, um currículo de 19 anos de atentados e declarações violentas ameaça prejudicar os palestinianos dependentes das ajudas económicas internacionais. O discurso poderá então ser contraditório. Sabi Abu Zhuri, porta-voz do Hamas, afirma: “Por um lado vamos manter a resistência contra as agressões e a ocupação, mas por outro lado queremos mudar e implementar reformas. Queremos abrir-nos ao mundo árabe e islâmico mas também à comunidade internacional”. Apesar dos violentos discursos, o Hamas não leva a cabo atentados suicidas desde Agosto de 2004. Porém, para os analistas e a comunidade internacional é imprescindível que abandone as armas e reúna os seus homens em torno das forças de segurança da Autoridade Palestiniana.