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Internacional Socialista procura inspiração nos valores da Grécia Antiga

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Internacional Socialista procura inspiração nos valores da Grécia Antiga

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Georges Papandreou, o ex-ministro grego dos Negócios Estrangeiros, é o novo presidente da Internacional Socialista. Filho do fundador do Pasok, Partido Socialista grego, Andreas Papandreou, dirige os socialistas da Grécia desde Fevereiro de 2004. O sucessor de António Guterres na chefia da organização internacional dos socialistas defendeu no discurso da tomada de posse a luta contra os malefícios da economia capitalista. Mas qual o papel da Internacional Socialista no mundo globalizado e no seio da União Europeia? Numa entrevista à EuroNews, George Papandreou fala da inspiração dos valores da Grécia Antiga.

EuroNews: George Papandreou, benvindo à EuroNews. Poucas pessoas na Europa sabem que esta organização ainda existe, por isso tem muito trabalho pela frente. Por onde é que vai começar?

George Papandreou: Primeiro que tudo existe, penso eu, uma grande oportunidade para a Internacional Socialista. Somos 161 partidos do mundo inteiro, a maior organização política. É uma oportunidade para mostrar a nossa solidariedade em novas áreas no mundo, onde se desenvolvem movimentos progressivos tais como a Rússia, a China e o mundo árabe . A nossa base tradicional está na Europa, mas há muitos partidos fortes na América Latina e noutras partes do mundo.
Temos oportunidade de mostrar o nosso trabalho nas áreas da justiça, na luta contra a desigualdade e a pobreza, na área da democracia e do desenvolvimento participado, na paz apoiando iniciativas como a que tomou o primeiro-ministro Zapatero, a aliança das civilizações, o diálogo na aliança em vez do choque cultural.

EN: Tem-se dito muitas vezes que a social democracia não está no seu melhor por estes tempos. Que retrato faz da situação da esquerda no Velho Continente?

G.P: Primeiro que tudo, temos poucos governos socialistas na União Europeia. Em segundo lugar, a Europa foi criada pelas lutas do movimento trabalhador que deu origem ao Modelo Social Europeu. Em terceiro, representamos uma alternativa clara. O Modelo Nórdico, penso, é o que serve de inspiração para muitos porque permite a utilização do mercado, mas a sua utilização para garantir que os cidadãos têm um sitema de bem estar que lhes fornece o que eles precisam. E, por último, gostaria de dizer que existe um partido socialista muito forte por detrás da liderança de Paul Rasmussen e ele tem trabalhado arduamente para unir todos os partidos numa visão comum da União Europeia.

EN: Identifica novas tendências no conservadorismo europeu?

G.P: Penso que os conservadores estão perigosamente a caminhar cada vez mais para o populismo. O mundo enfrenta graves problemas, mas não é necessário o populismo, não é precisa a propagação do medo. A linguagem deles é a linguagem do medo, a nossa é a da segurança. Penso que eles estão também a criar grandes governos, mas grandes governos para alguns. Nós vemos o governo como forma de dar poder aos cidadãos para enfrentar os desafios de hoje.

EN: Porque é que os líderes socialistas europeus que estão actualmente no poder, como Tony Blair, José Luis Zapatero ou Goran Persson e outros não têm qualquer acção comum ao nível da União Europeia?

G.P: Cada vez mais estamos a trabalhar juntos, enquanto socialistas na União Europeia. Obviamente existe uma questão que são as instituições democráticas da nossa União Europeia. Temos que as formalizar na nova Constituição. Nós tentámos, mas há ainda muito a discutir sobre o futuro da Europa. Eu acredito que precisamos de reforçar as instituições democráticas e os partidos vão ter um papel importante.
O Partido Socialista é, na Europa, o mais organizado, o mais activo, o mais unificado de todos os grupos políticos. É assim desde que foi criado e ainda hoje representa um papel muito importante em termos de alternativa para a Europa.

EN: O que é que na Grécia antiga pode ser fonte de inspiração para o povo que procura novas formas de fazer política?

G.P: A Grécia Antiga é, concerteza, fonte de inspiração para mim e para muita gente. A ideia da democracia e do seu significado é algo que precisamos de desenvolver e olhar para trás para o princípio e para os conceitos à volta da democracia é muito proveitoso para todos nós.
O termo “idiot” em inglês, por exemplo, vem do grego “idiotis” e em grego significa alguém que não participa na coisa pública, não faz parte das funções sociais ou políticas. A lição que podemos tirar daqui é que pessoas como Platão, Sócrates ou Aristóteles estavam sempre a falar de inclusão, de participação, de democracia directa, de responsabilidade social que todos queremos para o nosso mundo. Isto é uma inspiração.
Mas como traduzir estes conceitos para a democracia de hoje, num mundo globalizado? Qual é o significado da democracia num mundo globalizado? Como podemos ter a certeza que os nossos cidadãos pelo mundo inteiro, em cada canto, não estão desarreigados, mas podem ter uma voz? Isto, penso, é um dos maiores desafios que temos na nossa aldeia global. E creio que aqui a Internacional Socialista pode desempenhar um papel importante no futuro com as suas ideias sobre a governação democrática por todo o mundo.