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Jornais europeus lutam pela liberdade de expressão

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Jornais europeus lutam pela liberdade de expressão

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A liberdade de expressão, mesmo se provoca ofensas, é sagrada.Uma dúzia de jornais europeus quis mostrá-lo, em solidariedade com um diário dinamarquês, voltando a pegar na caricatura de Maomé que este fez no fim do Verão, e uma revista norueguesa divulgou no início de Janeiro. O debate tem provocado violência.

O Jyllands-Posten publicou 12 caricaturas de Maomé para reivindicar a liberdade de expressão depois de o autor de um livro sobre o profeta ter denunciado que ninguém ousava ilustrá-lo. Consequência: uma ameaça de bomba na sede do jornal no dia 31 de Janeiro, há dois dias, e não quando as caricaturas foram publicadas. O director do jornal arrisca o mesmo destino de Theo Van Gogh. O cineasta holandês foi assassinado em Novembro de 2004 depois da saída do seu filme “Submissão”, no qual denunciava a violência contra as mulheres nas sociedades muçulmanas. O assassino, Mohamed Bouyeri, disse ao tribunal que agiu conforme as suas convicções religiosas, e que o fez sozinho – o que vai ser reapreciado pela Justiça holandesa. No corpo de Van Gogh (o sobrinho neto do pintor), deixou uma mensagem (presa com uma faca): uma ameaça de morte contra Ayaan Hirsi Ali, autora do argumento do filme, de origem somali, e deputada holandesa. Desde então, ela vive com escolta policial mas continua o seu combate pelo exercício de liberdade de expressão. Salman Rushdie, sob quem pendeu uma fatwa (sentença de morte no mundo islâmico) reivindica o direito de ofender sem o qual não há liberdade de expressão. “Dez anos da minha vida foram deformados por isto: os meus amigos foram ameaçados de morte, andei com a família de um lado para o outro, foram assassinadas pessoas que conhecia… enfim…podia fazer propaganda, mas não faço…penso que isto é tudo um disparate”. O escritor britânico, nascido na Índia no seio de uma família muçulmana, foi jurado de morte pelo ayatolah Khomeini por ter publicado os Versículos Satânicos. Só em 1998 o Irão retirou a sua ameaça.