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A Áustria quer aproximar a Europa dos cidadãos

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A Áustria quer aproximar a Europa dos cidadãos

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Durante o primeiro semestre de 2006, a Áustria assume a presidência da União Europeia, na coordenação das políticas dos Vinte e Cinco Estados membros. Em Salzburgo, a cidade onde nasceu Mozart, a EuroNews encontrou a ministra austríaca dos Negócios Estrangeiros, Ursula Plassnik, membro do partido do Povo Austríaco e uma aliada política do chanceler Wolfgang Schussel. Formada em direito, especialista em questões de segurança, economia e política externa, é sobre ela que recai formalmente a responsabilidade da presidência europeia até finais de Junho. Numa entrevista exclusiva falou dos objectivos desta presidência.

EuroNews: Presidente em exercício da União Europeia, quais são as suas prioridades? Por favor, uma resposta precisa, curta e concreta. Que objectivos pretende alcançar?

Ursula Plassnik: A União Europeia tem que fazer mais para estar próxima dos cidadãos, para reconquistar a confiança dos cidadãos. Esta auto-confiança deve ser reforçada. Para além disso colocamos a tónica no emprego, no trabalho e no crescimento, que estão no topo da agenda da Cimeira da Primavera. Também temos que dar um impulso à ciência e à investigação, às políticas energéticas e ao apoio às universidades. Teremos também que fazer pressão nas questões internacionais. Eu própria – enquanto ministra dos Negócios Estrangeiros – estou a concentrar-me especificamente na questão dos Balcãs.

EN: A Europa atravessa uma crise de confiança o que quer dizer também em plena crise constitucional. No que respeita à Constituição Europeia como é que estão as coisas? O projecto está vivo ou morto?

U.P: Vivo ou morto – isso tem que perguntar a um especialista em medicina legal. Nós estamos a trabalhar num processo político. Estamos a trabalhar para lançar as bases fundamentais do futuro da União Europeia. Estamos a tentar adaptar as nossas regras comuns, bom, como sempre fizemos. Claro que são precisas normas comuns para os 25 Estados, para os 27, para 450 milhões de pessoas. E temos que desenvolver mais essas normas, mas não existe uma solução instantânea. Neste momento eu estou numa fase de cuidadosa audição. Estou a ouvir com muita atenção os desejos e as propostas de todos os lados. Mas sei muito bem que não há respostas rápidas. O meu objectivo é que seja alcançado um acordo, uma proposta comum até ao final da presidência austríaca, isto significa, de forma muito concreta, até ao Conselho Europeu de Junho.

EN: Bom, a presidência austríaca está a fazer um grande esforço para aproximar a Europa dos cidadãos e para ser mais transparente. Mas qual é o significado concreto deste tipo de expressões?

U.P: O que é que é importante para nós aqui na Europa? Gostaria de sublinhar os verdadeiros objectivos incluídos no Tratado Constitucional. Primeiro que tudo queremos viver em paz. Há apenas alguns dias estive no funeral do presidente Rugova, no Kosovo. Para o povo do Kosovo, a guerra e os conflitos armados são ainda uma experiência recente que ainda têm muito presente nas suas cabeças. Para muitos de nós, esta experiência está talvez já muito para trás. Temos que ajudar as pessoas do Kosovo na realização da sua perspectiva europeia.

EN: Poderá sentar-se um dia, lado a lado, com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Kosovo num Conselho Europeu? Virá o Kosovo a tornar-se num Estado soberano e num membro da União Europeia? É esse um dos objectivos alcançar?

U.P: Neste momento o nosso objectivo é por em prática a perspectiva europeia do todos os Estados da regiãos dos Balcãs, aproximá-los da Europa e apoiá-los nos seus processos de reformas. E isto é válido também para o Kosovo. O processo de negociação para o futuro do Kosovo começou agora sob a égide das Nações Unidas.

EN: Muitos europeus preocupam-se com a rapidez do processo de alargamento da União Europeia. Onde estão as fronteiras da Europa, se é que a Europa tem fronteiras. Quem pertence à Europa? A Turquia, por exemplo: sim ou não?

U.P: As fronteiras da Europa, para lhe dar uma resposta genérica, não se podem desenhar com uma régua e também não podem ser definidas por geógrafos ou historiadores. A Europa foi sempre um projecto político, o que não quer dizer que se torne numa Europa sem fronteiras, não! Para falar mais especificamente dos Estados da região dos Balcãs, nós não queremos – os austríacos não querem – e acredito que os europeus não querem, que uma zona de instabilidade e insegurança surja entre a Itália e a Grécia.
Estes Estados europeus sofreram muito na sua história recente. Fazem parte do desafio da reconstrução europeia, fazem parte da nossa reunificação europeia, parte da nossa reconciliação neste continente. Reparemos na Roménia e na Bulgária, com certeza que fazem parte desta Europa também, por isso assinámos os tratados. No dia 1 de Janeiro de 2007, a Roménia e a Bulgária juntam-se à União Europeia – na caso de clásula de salvaguarda não ser activada, senão será um ano depois.

EN: Ainda não respondeu à minha questão sobre a Turquia…

U.P: Começámos as negociações dos Estados membros com a Turquia, como sabe. Foi no dia 3 de Outubro, da mesma forma que fizemos, de resto, com a Croácia. Agora estamos no nível de preparação técnica no que respeita aos dois Estados. Durante a presidência austríaca poderemos provavelmente abrir o primeiro capítulo da negociação. O resultado desta negociação será aberto , isto está escrito no mandato negocial. A decisão que todos tomámos em Outubro último é uma decisão firme.

7.24
Generico

FIN.