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Zacarias Moussaoui: Culpado ou bode expiatório

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Zacarias Moussaoui: Culpado ou bode expiatório

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Já passaram mais de quatro anos desde o 11 de Setembro e o francês de origem marroquina Zacarias Moussaoui continua a ser o único alvo de um processo judicial nos Estados Unidos relacionado com os atentados.

No dia 11 de Setembro, Moussaoui não se encontrava entre os 19 piratas do ar, mas as autoridades americanas consideram-no como o vigésimo membro do ataque terrorista, que não pode juntar-se ao grupo porque tinha sido detido no dia 16 de Agosto de 2001, por violação das leis de imigração. Zacarias Moussaoui chegou aos Estados Unidos no dia 23 de Fevereiro de 2001. O alegado terrorista partiu de Londres com 35 mil dólares no bolso. Entre Fevereiro e Maio, tirou um curso de piloto. No dia 13 de Agosto inscreveu-se na Pan Am International Flight Academy em Mineápolis, o seu comportamento suspeito chamou a atenção dos seus instrutores e o FBI acabou por o deter três dias depois. Moussaoui é então acusado de ter participado activamente nos atentados. Primeiro recusa a acusação, depois declara-se culpado, mais tarde retracta-se e no dia 22 de Abril de 2005 declara-se culpado por cumplicidade, ao mesmo tempo que desmente a sua implicação no 11 de Setembro, porque estava a preparar um outro ataque contra a Casa Branca. Jonathan Turley é professor de Direito na Universidade Georges Washington e refere que “o problema deste julgamento é que não parece que Moussaoui seja culpado das acusações que lhe são feitas. A opinião geral é que ele não é o vigésimo terrorista. Aliás todos os responsáveis dos serviços de inteligência dizem não acreditar que ele seja o vigésimo terrorista.” De facto é sabido que a CIA mantém longe da justiça americana outros presumíveis responsáveis pelo 11 de Setembro, pessoas muito mais importantes na rede Al-Qaida como o alegado cérebro dos atentados Cheikh Khalid Mohammed e Ramzi Bin al-Shibh, presumível tesoureiro da organização terrorista. Os dois homens não vão comparecer no julgamento de Zacarias Moussaoui, como explica a mãe do réu Aïcha el-Wafi. “Se eles (autoridades norte-americanas) precisam de um culpado, o vigésimo membro está em Guantánamo… o Cheikh Khalid Mohammed e o Ramzi estão nas mãos deles (autoridades norte-americanas), queproibiram o meu filho de ver essas testemunhas.” Alguns juristas consideram que o julgamento de Moussaoui é apenas uma maneira de o Departamento de Justiça norte-americano encontrar um culpado para os atentados do 11 de Setembro de 2001.