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Nepal na encruzilhada entre a democracia e a guerra civil

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Nepal na encruzilhada entre a democracia e a guerra civil

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Uma enorme tensão envolve estas eleições municipais nepalesas. Uma aliança de sete partidos da oposição resolveu boicotar o escrutínio, que considera uma manobra para legitimar o poder autocrático do rei Gyanendra, ao passo que a guerrilha convocou uma greve geral de uma semana, que se esforçou por fazer cumprir à força até ao final do escrutínio.

Os rebeldes maoístas puseram no início do ano fim a um cessar-fogo unilateral de quatro meses e têm, desde então, intensificado os ataques a interesses governamentais. Em escaramuças recentes no Leste do país, sete militares foram mortos pela guerrilha. Porém, numa recente entrevista, Prachanda, o líder maoísta, renovou a proposta de paz e sugeriu a eleição de uma assembleia constituinte encarregada de redigir uma nova constituição. O Nepal é um pequeno reino dos Himalaias com pouco mais de 26 milhões de habitantes. Desde 1996, com o surgimento da guerrilha maoísta, os confrontos entre forças regulares e rebeldes mataram mais de 12 mil pessoas. Por isso, o Palácio Real aponta o objectivo de repor a democracia para justificar este sufrágio, que será um passo rumo às eleições legislativas a realizar em Abril de 2007. Porém, a oposição manifesta cepticismo em relação às intenções do rei que, em Fevereiro de 2005, dissolveu pela segunda vez o parlamento e assumiu o poder executivo. Gyanendra ascendeu ao trono em Junho de 2001 depois do príncipe herdeiro Dipendra ter massacrado sete membros da família real, entre os quais o rei e a rainha, antes de se suicidar. A violência e a instabilidade política mantém o país, um dos mais pobres do mundo, dependente de ajudas internacionais e têm vindo a prejudicar gravemente a indústria turística, principal fonte de rendimentos de um reino encravado nos Himalaias, que tem o Evereste como atracção.