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Assassínio de Rafic Hariri levou a saída precipitada da Síria do Líbano

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Assassínio de Rafic Hariri levou a saída precipitada da Síria do Líbano

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O assassínio do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, há um ano, acabou por precipitar o fim de três décadas de presença militar síria no Líbano. O “modus operandi” do ataque fez lembrar o dos assassínios de vários opositores ao regime de Damasco, no final dos anos 80.

Nas ruas, Hariri tornou-se o primeiro mártir da “Revolução do Cedro” e o símbolo da oposição anti-síria que consegue ao fim de várias semanas de manifestações e com o apoio internacional forçar a retirada militar de Damasco em Abril. Uma medida que escavou ainda mais o fosso entre pró e anti-sírios. Apesar da retirada, os atentados como o de Hariri continuaram. Várias personalidades, entre jornalistas e políticos opositores ao regime de Damasco,foram assassinados ou gravemente feridos em ataques organizados de forma minuciosa. Em Beirute acusa-se os serviços secretos sírios, mas o inquérito das Nações Unidas derrapa muito por causa da falta de cooperação do regime de Bachar el-Assad. Mesmo assim, o ministro da Justiça libanês, Charles Rizk, mostra-se optimista porque diz que “o Conselho de Segurança da ONU decidiu ser mais abrangente na atribuição das responsabilidades. Agora engloba não só o assassínio do presidente Hariri mas também as outras agressões que ocorreram desde Outubro de 2004.” É sobretudo ao nível político que a influência da Síria é mais visível. A oposição a Damasco, liderada pela coligação “Forças do 14 de Março”, cujo chefe é o filho de Rafic Hariri, Saad, está cada vez mais solitária. Vencedor das eleições no Verão de 2005, Saad Hariri, que vive em Paris por questões de segurança, não conseguiu impor o seu programa de governo de unidade nacional e teve que se aproximar de formações pró-sírias. Até o mais feroz opositor de Damasco, o cristão Michel Aoun assinou, há alguns dias, um acordo com os partidos islamitas, o que confirma o que se temia há precisamente um ano: a transição no Líbano vai ser muito lenta e sobretudo muito difícil.