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Primeiro-ministro belga defende "Estados Unidos da Europa" num livro

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Primeiro-ministro belga defende "Estados Unidos da Europa" num livro

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Para Guy Verhosftadt o tempo é de mudança. Chegou a hora da escolha, sem equívocos, ou seja, urge avançar com os Estados Unidos da Europa. Homem político liberal, Verhosftadt é um europeísta confesso, ao ponto de publicar um livro que não permite qualquer dúvida: “Os Estados Unidos da Europa”. A EuroNews falou com o autor da obra, publicada no dia dos namorados.

EuroNews: Acha verdadeiramente que a ideia dos Estados Unidos da Europa, ou seja, uma Europa a duas velocidades, pode mesmo ser uma solução para se sair do impasse institucional? Guy Verhofstadt: “Existe neste momento uma discussão que não fica pelo aprofundamento da União Europeia ou pelo alargamento. Acredito que ao trabalhar com dois círculos concêntricos, o dos Estados Unidos da Europa essencialmente baseado na zona euro e o dos Estados europeus que se alargam, pode dar-nos uma solução, porque permitirá aos países membros da zona euro o benefício de integrarem a sua política económica e social”. EuroNews: No que toca ao grupo mais integrado, imagina uma cooperação intergovernamental ou algo mais profundo? Verhofstadt: “O perigo hoje reside no facto de podermos cair numa Europa com projectos apoiados por alguns governos que são os motores desses mesmos projectos. Não é disso que precisamos. Necessitamos criar uma verdadeira união política, com políticos comunitários, com uma Comissão que, aos poucos, se torne num verdadeiro governo para a União Europeia”. EuroNews: Não acredita que uma Europa demasiado integrada espante os europeus que temem a burocracia de Bruxelas? Verhofstadt: “Existe demasiada burocracia na União Europeia. É necessário ocuparmo-nos das grandes questões, como a resposta aos receios despertados pela mundialização, qual a política comum que se pode desenvolver ao nível da protecção social, da economia ou dos impostos. É isso que temos de explicar. Há também que apresentar projectos na área da Defesa europeia, para demonstrar que podemos ter um papel no plano mundial. Nas sondagens dos últimos anos os cidadãos mostraram-se favoráveis a um exército europeu, a uma defesa europeia, mas isso não é feito”. EuroNews: Quando fala de uma defesa comum e de uma diplomacia comum pensa que os Estados Membros estão dispostos a renunciarem à soberania nacional nesses domínios? Verhofstadt: “Essa é a questão, estamos preparados para perder uma parte da soberania nacional para ganhar mais peso no plano internacional? É disso que se trata. Se queremos um papel mais activo no plano mundial temos de cooperar e perder parte da soberania nacional”. EuroNews: Quando fala de uma Europa a duas velocidades é impossível imaginar uma diplomacia europeia comum e, sobretudo, uma defesa comum sem o apoio, por exemplo, do Reino Unido. Verhofstadt: “Não, mas faço a distinção. A Zona Euro é necessária para desenvolver uma política credível no que toca ao edifício sócio-económico, mas os Estados Unidos da Europa podem cooperar. Podem colaborar com os outros membros da União Europeia no plano da Defesa ou dos Negócios Estrangeiros. O que proponho é uma cooperação aberta, que, creio, pode ajudar à compreensão e à aceitação, por parte da opinião pública, de uma continuidade do alargamento”. EuroNews: Essa Europa a duas velocidades é uma forma de promover e de facilitar a adesão de países como a Turquia? Verhofstadt: “Não, não, creio honestamente que esta proposta faz a distinção entre aprofundamento e alargamento, o que facilita a aceitação, por parte da opinião pública, dos benefícios do alargamento”. EuroNews: A Constituição está morta? Verhofstadt: “O que é mais importante neste momento é iniciar o diálogo sobre o futuro da Europa sem o argumento que defende ‘primeiro a ratificação e depois logo se vê’. Creio que chegou o momento para se clarificarem as coisas, escolher a Europa que representa um espaço de livre comércio ou a Europa da união política com todas as vantagens e instrumentos inerentes”. EuroNews: É o primeiro chefe de governo a apresentar uma proposta de forma importante, não formal, mas oficial. O documento fala de uma Europa a duas velocidades. De um ponto de vista institucional quando é que pensa levar o tema à mesa dos seus colegas? Verhofstadt: “Espero que todos os países, os 25, possam aderir ao projecto. Assim não haverá duas velocidades. Se apenas alguns países aderirem, então haverá um núcleo duro. Espero que todos os Estados Membros possam aderir. Provavelmente vamos discutir o assunto no final da presidência austríaca, no conselho de Junho”.