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Vacinar as aves não é consensual na Europa

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Vacinar as aves não é consensual na Europa

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A vacinação das aves dos jardins zoológicos já começou na Bélgica e a França decidiu vacinar todos os patos e os cisnes das zonas húmidas. Mas, por enquanto, apenas existe uma vacina para o vírus H5N2, menos patogénico que o N1 e as condições de administração são muito restritas. Os técnicos de saúde animal estão numa corrida contra o tempo, pois têm apenas quatro dias para vacinar todas as aves exóticas do país e para além disso é preciso fazer análises.

Como explica um veterinário belga, “sem uma análise ao sangue não se pode ter a certeza se os animais ficarão protegidos ou não, por isso é preciso fazer análises antes e depois da segunda vacina para saber até que ponto desenvolveram anti-corpos”. A decisão de vacinar está longe de fazer o consenso. A União Europeia criou o projecto AVIFLU, no qual participam a Holanda, a França, a Dinamarca e o Reino Unido. Giovanni Cattoli do Instituto Zooprofiláctico Experimental de Veneza explica:“O objectivo é avaliar a eficácia e o nível de protecção das aves face à doença e também avaliar a evolução do vírus nas aves vacinadas. Precisamos de saber se as aves vacinadas podem guardar o vírus”. Este agir sem garantias sobre o efeito nas aves vacinadas não agrada aos veterinários que temem que as aves venham a tornar-se incubadoras do vírus sem sintomas. “Os animais não estão clinicamente doentes, mas isto não impede completamente que, em caso de contaminação, o vírus possa desenvolver-se no organismo”, defende um veterinário francês.O perigo está no facto de os animais vacinados poderem tornar-se em reservatórios de vírus, portadores sem sintomas, o que impediria a erradicação da epizootia. Por outro lado, a logística é muito pesada. Só a França, maior exportador da União Europeia, cria 700 milhões de aves por ano. Será possível vaciná-las todas?. Haverá vacinas suficientes tendo em conta que cada ave precisa de duas doses? A Europa procura soluções mas são mais as dúvidas do que as certezas.