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Manouchehr Mottaki: "Os nossos princípios religiosos impedem-nos de ter armas nucleares"

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Manouchehr Mottaki: "Os nossos princípios religiosos impedem-nos de ter armas nucleares"

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O Mundo não tem que temer o programa nuclear iraniano. É o que diz o chefe da diplomacia do país. Antes do encontro em Moscovo, que teve como resultado um princípio de entendimento sobre a questão nuclear, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Manouchehr Mottaki, falou à EuroNews em Bruxelas.

Na próxima semana, a Agência Internacional da Energia Atómica vai decidir se transfere ou não o dossiê do nuclear iraniano para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Sergio Cantone, EuroNews: Sr. Ministro, bem-vindo à EuroNews. O senhor disse que chegou o tempo das negociações e acabou o tempo das ameaças. O que quer dizer com isso?

Manouchehr Mottaki, MNE do Irão: Quando, em Setembro, nos encontrámos em Nova Iorque com os representantes de França, Grã-Bretanha e Alemanha, o sr. Joschka Fischer disse-nos muito claramente que não aceitava o direito do Irão à energia nuclear. Por isso acho que devia haver passos do outro lado.

EN: A proposta russa parece bastante boa, mas o senhor esperava mais, não esperava?

MM: A implementação desta proposta significa que o nosso objectivo se mantém, ou seja, enriquecer urânio em larga escala no Irão. Por enquanto, estamos a cooperar, estamos a trabalhar com os outros na próxima fase, que é a produção de combustível nuclear. O nosso objectivo é uma produção em larga escala, mas é possível haver uma pausa no meio.

EN: Não acha que ao subir o tom contra Israel, dizer que Israel deve ser destruído, é contra-producente para o objectivo de conseguir essa tecnologia?

MM: O regime sionista já tem armas nucleares nos territórios palestinianos e ninguém se preocupa com isso. Já explicámos várias vezes que as armas nucleares não têm lugar na nossa política de defesa. Acima de tudo, como repetimos várias vezes, os nossos princípios religiosos impedem-nos de procurar armas nucleares.

EN: Sim, mas os Estados Unidos e a Europa estão envolvidos numa luta contra o terrorismo…

MM: Estamos em posição de cooperar e trocar ideias com os europeus, mas infelizmente, por causa da situação no Médio Oriente, a Europa está a seguir o que dizem os Estados Unidos. O que se está a passar no Médio Oriente e na Palestina mostra que o entendimento dos europeus não é correcto.

EN: Está pronto a apoiar o Hamas?

MM: Apoiamos o povo palestiniano e a sua vontade. Sem dúvida, a escolha deles é a escolha deles.

EN: E quanto ao Hezbollah?

MM: O Hezbollah é um partido político. Por que razão querem os Estados Unidos e a União Europeia impor os seus pontos de vista ao Líbano? Por que querem eles intervir no Líbano?

EN: Porque a Europa e os Estados Unidos estão numa guerra contra o terror…

MM: Não consideramos terroristas grupos que querem libertar territórios da ocupação do regime sionista. Temos que nos sentar à mesa e pensar numa nova definição do terrorismo.

Desde o início, o Irão esteve contra os talibãs do Afeganistão, na altura em que os Estados Unidos e seus aliados os apoiavam.

EN: Sim, mas de qualquer forma o Irão vai ter de cooperar com os Estados Unidos no Iraque, uma vez que tanto Washington como Teerão precisam das organizações xiitas.

MM: Consideramos o povo iraquiano como um todo. Xiitas, sunitas, curdos, turcomenes… são todos iraquianos e apoiamos a participação de todos na vida política do país. É essa a nossa ideia. Mas achamos que a continuação da ocupação não favorece o povo iraquiano, nem os países da região. Não favorece nada a segurança e a estabilidade, sobretudo no sul do Irão.