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Xiitas e sunitas semeiam caos no Iraque

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Xiitas e sunitas semeiam caos no Iraque

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O Iraque encontra-se à beira da guerra civil. Os confrontos entre as comunidades xiita e sunita intensificaram-se nas últimas horas. Tudo começou durante a manhã quando um grupo de homens armados fez explodir duas cargas no mausoléu dos imãs Ali al-Hadi e Hassan al-Askari, décimo e décimo primeiro imãs venerados pelos xiitas na cidade sunita de Samarra, a 125 quilómetros a norte de Bagdade.

Na capital, três dezenas de locais de culto sunita foram atacados e há registo de seis mortes, nomeadamente três imãs e três guarda-costas. De acordo com fontes do ministério do Interior há ainda notícia do sequestro de um religioso sunita. A fim de evitar novos ataques contra mesquitas sunitas na capital iraquiana, as autoridades intensificaram a presença do exército e da polícia em torno dos locais de culto. Em Diwaniya, a 180 quilómetros a sul de Bagdade, registaram-se confrontos entre as duas comunidades depois de um grupo de milicianos fiéis ao clérigo xiita radical Moqrada al-Sadr ter atacado casas de árabes sunitas. Um dos milicianos foi morto. Em Bassorá uma mesquita sunita foi também alvo da ira dos xiitas que atacaram o templo com um lança-granadas. Além das retaliações violentas, milhares de xiitas invadiram as ruas das principais cidades iraquianas para manifestarem o seu protesto de forma mais ou menos pacífica. Entretanto, o Grande Ayatollah Ali Al-Sistani fez uma aparição rara na televisão depois do ataque à mesquita de Samarra. As últimas imagens da máxima autoridade religiosa xiita datavam de 2004. Sistani, que vive na cidade santa de Najaf, apelou aos xiitas para se manifestarem mas sublinhou que os protestos deveriam ser pacíficos. O Grande Ayatollah decretou uma semana de luto na sequência da destruição do local sagrado que desencadeou os acontecimentos desta quarta-feira. No campo político, o líder sunita, Tareq Al-Hashimi, do Partido Islâmico do Iraque, também condenou o ataque contra os xiitas e lançou um apelo à calma e à união. Mas deixou igualmente uma advertência depois da sede do seu partido ter sido atacada em Bassorá. O discurso do primeiro-ministro, o xiita Ibrahim al-Jaafari, teve tons mais solenes e conciliadores. Depois de anunciar o envio de uma equipa de reconstrução para Samarra, al-Jaafari decretou três dias de luto nacional.