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Entrevista ao virólogo Jean François Saluzzo

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Entrevista ao virólogo Jean François Saluzzo

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Jean François Saluzzo, virologista, perito junto da OMS e responsável pelo desenvolvimento de vacinas contra doenças emergentes no laboratório Sanofi Pasteur, respondeu às questões da EuroNews sobre os riscos e a evolução da gripe das aves

EuroNews: Como é que o vírus se transmite? JFS: “A única via de transmissão conhecida, por agora, é a via respiratória, ou seja o contacto com as partículas virais que podem estar em suspensão sobre as aves e que podem infectar as vias respiratórias. Não há outra forma de contaminação”. EN: Que implicação tem para a saúde humana o gato infectado encontrado na Alemanha? JFS: “É um fenómeno banal que não tem qualquer consequência do ponto de vista da transmissão ao homem, nenhuma consequência do ponto de vista epidemiológico, mas que revela de forma importante a sensibilidade, a vigilância eficaz que temos na Europa. Sabemos existirem muitos gatos na China e no Vietname e nenhum caso tinha ainda sido assinalado. Isto porque nesses países a vigilância não é suficiente.” EN: Três anos depois da aparição na Ásia, o H5N1 chega à Europa. O que vai acontecer no futuro? JFS: “O que se passa hoje na Europa traduz o facto de o vírus se ir dispersar por todo o mundo. Portanto, vamos ter um problema enorme com a gripe das aves, não com a gripe humana, mas com a gripe das aves. O problema que começamos a sentir com o confinar das aves corre o risco de continuar durante muitos meses e mesmo anos, já que este vírus se difunde através das aves migratórias o que não acontecia antes. Portanto, vamos ter o vírus por todo o lado, vamos demorar muitos anos a livrarmo-nos da gripe das aves. Agora a transformação deste vírus num vírus patogénico para o Homem, transmissível de Homem a Homem, não será feita na Europa. A Europa não será o centro de onde partirá a próxima pandemia, já que na Europa sabemos como nos preparar, sabemos lutar e, mesmo que surja um caso, a pessoa será imediatamente hospitalizada, isolada e tratada. Não é aí que está o problema. As atenções devem estar voltadas para os países do Sul e sobretudo para África onde a situação arrisca-se a ser catastrófica”. EN: Quais são os avanços no sentido da criação de uma vacina para a futura versão humana do vírus? JFS: “Por exemplo, apercebemo-nos que a vacina para o H5N1 que teremos de fazer deve vir a necessitar de duas doses, ao contrário do que acontece até agora com a gripe anual, que só necessita de uma dose. Há já, portanto, um progresso de extrema importância. Ao mesmo tempo, apercebemo-nos que deve provavelmente ser necessário um adjuvante de imunidade. Dentro de pouco tempo chegaremos à fórmula ideal que será utilizada no dia em que o vírus pandémico aparecer”.