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Milícias armadas iraquianas: um tiro no pé no processo político

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Milícias armadas iraquianas: um tiro no pé no processo político

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O Iraque vai regressar às negociações políticas, semanas depois do ataque bombista contra a mesquita de Samarra ter instalado um clima de guerra civil no país.

A acção visou um dos quatro lugares sagrados dos xiitas, no momento exacto em que se negociava um governo de unidade nacional com os representantes sunitas, que desde então recusam qualquer acordo. Nas ruas os confrontos entre as duas comunidades iraquianas provocaram mais de 1300 mortos. O saldo abala a nova relação de forças no país. Os xiitas maioritários, controlam o poder depois de vencerem as eleições, mas como os sunitas, minoritários, recusam-se a desarmar as suas milícias que nos últimos dias protagonizam o crescendo de acções violentas no país. Washington tem sido nos últimos meses uma das principais vozes críticas da ambiguidade dos políticos xiitas. Para muitos observadores a atitude norte-americana foi a principal instigadora da explosão de violência inter-étnica. O Secretário da Defesa Donald Rumsfeld, tenta agora mostrar-se mais apaziguador: “Eu não acredito que o Iraque esteja a viver neste momento uma guerra civil, mesmo que o país tenha uma propensão para a mesma, se considerarmos que se manteve unido sob um regime repressivo que enterrou centenas de milhares de pessoas em valas comuns”. Desde a intervenção militar norte-americana que a violência nas ruas, levada a cabo pelas milícias próximas dos partidos políticos, representa a principal resistência ao processo democrático. O referendo constitucional em Outubro e as eleições legislativas de Dezembro foram um exemplo concreto desta situação. No domingo o país vive um novo teste. O parlamento deverá ter que eleger um novo presidente e um novo governo para o país. Jalal Talabani, um curdo parece ser o único homem a conseguir um consenso entre as diversas facções, cada vez mais opostas face à violência nas ruas. Ibrahim Al-Jafaari, um xiita, tenta por seu lado um segundo mandato como primeiro-ministro. Mas os dois homens não conseguirão seduzir os partidos sunitas, que uma vez mais vão ficar fora do consenso. É que na eleição dos dois próximos lideres iraquianos, vai pesar o apoio de Moqtada Al-Sadr, um clérigo xiita que goza de influência no parlamento e ao mesmo tempo é líder do exército do Mehdi, uma milícia xiita envolvida nas acções de represálias contra os sunitas nas últimas semanas.