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Modelo social holandês: que futuro?

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Modelo social holandês: que futuro?

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Theo Van Gogh não era tão conhecido a nível internacional como é agora. O seu assassinato desencadeou um debate sobre o modelo holandês de sociedade multicultural, não só na Holanda como na Europa.

Theodor Holman trabalhou durante 20 anos com Van Gogh: a sua morte abriu uma verdadeira caixa de Pandora, diz que agora as pessoas de sentem inseguras, andar na rua pode ser perigoso, ser atacado. “A liberdade de expressão desapareceu totalmente: não é proibida, mas uma pessoa não se atreve a dizer o que quer. Assim, mata-se um e, de repente, uma sociedade inteira, entra em colapso”

A reacção ao assassínio de Theo Van Gogh foi imediata: mesquitas incendiadas, graffitis… dois anos depois continua o debate sobre a validade do modelo social holandês, de que se apropriaram os partidos xenófobos e nacionalistas, como a formação herdeira do falecido Pim Fortuyn, cujo líder é Geert Wilders.Será que o modelo holandês de integração ainda pode funcionar? As eleições autárquicas de há dois dias, um ano antes das legislativas, voltaram a enviar uma mensagem à maioria governamental. Principalmente ao partido cristão-democrata do primeiro-ministro Jan-Peter Balkenende. Os imigrantes contribuiram para o resultado.

A percentagem de estrangeiros no total da população subiu até 2003. Desde aí, tem-se mantido em pouco mais de 10 por cento por causa das restrições à imigração. Na segunda cidade do país, Roterdão, em 2017 a maioria da população será de origem estrangeira. Dos 16 milhões de pessoas que vivem na Holanda, um milhão e setecentos mil são imigrantes, principalmente turcos e marroquinos. Apesar de uma certa melhoria na última década, o índice de desemprego dos imigrantes é três a quatro vezes superior ao dos holandeses de origem. Além do mais, só costumam ter acesso aos trabalhos menos remunerados por causa da baixa escolaridade. Ila Kassem, presidente de uma associação islâmica que defende a integração explica que falam de problmas que afectam os jovens, problemas que sofrem as crianças. Mesmo que a maioria nasça aqui, tem sempre algum atraso em relação à língua, o que se repercute nos resultados escolares. No entanto, é este modelo social holandês que permite uma participação cada vez maior dos imigrantes na vida social do país. A comunidade turca criou mais de mil associações. E a participação dos imigrantes nas eleições municipais mostrou que se está no bom caminho