Última hora

Última hora

Embaixador bielorrusso não quer ingerências de Bruxelas

Em leitura:

Embaixador bielorrusso não quer ingerências de Bruxelas

Tamanho do texto Aa Aa

A Bielorrússia prepara-se para ir às urnas, para escolher um novo presidente. A reeleição de Alexandre Lukashenko, no poder há 12 anos, é mais que provável.

No meio de todas as acusações de falta de democracia, as autoridades bielorrussas temem que o país seja palco de uma nova revolução, à semelhança do que aconteceu na Ucrânia, depois da publicação dos resultados.

Vladimir Senko é embaixador do país junto da União Europeia, depois de ter passado também pelas embaixadas em Portugal, França e na Unesco. Contou em exclusivo à EuroNews o que pensa sobre os temas que afectam a Bielorrússia de hoje.

Alexandre Murashkin, EuroNews: O que pensa da situação geral da Bielorrúsia na véspera das eleições presidenciais? É normal, tensa ou uma situação pré-revolucionária?

Vladimir Senko, embaixador bielorrusso na UE: Certamente, a situação na Bielorrússia é difícil, por causa das eleições. Mas quero sublinhar que o clima geral é calmo e estável.

Apesar da situação gerada pelo colapso da União Soviética, quero frisar que a Bielorrússia é o único país da antiga URSS cuja economia tem progredido de forma constante, neste período de crise. O nível de vida dos cidadãos aumentou. Isso é o mais importante. Durante este período eleitoral difícil, há uma coisa muito importante: é facto do presidente Alexandre Lukashenko ter um forte apoio popular. É lógico, a maioria tem uma confiança absoluta nele, por causa da política económica que ele adoptou desde há vários anos.

EN: O senhor é embaixador da Bielorrússia na União Europeia, na NATO e na Bélgica. Em que estado está o diálogo entre o seu país e a UE?

VS: As nossas relações com a União Europeia não são fáceis, mas isso não é culpa nossa. Temos todo o interesse em ter relações de igual para igual, que sejam benéficas para todas as partes. É natural.

O nosso “slogan” é o seguinte: estamos dispostos a desenvolver relações com a União Europeia, na condição de sermos parceiros em regime de igualdade. Não devem interferir nos nossos assuntos internos e não nos devem ditar o que devemos fazer, ou como devemos viver.

EN: Na Bielorrússia e fora dela, todos sabem qual vai ser o resultado das eleições. Mas imaginemos que o vencedor não é Lukashenko. O que pensa?

VS: Não quero prever o futuro. Quaisquer eleições, sejam presidenciais ou legislativas, podem reservar surpresas. Isso pode acontecer connosco, mas estou absolutamente seguro que nenhuma supresa vai mudar o que está estabelecido. O povo conhece o nosso programa económico e social e sabe que a corrupção não tem lugar no governo. Toda a gente está serena. É por isso que não se deve falar de surpresas que possam mudar radicalmente a situação.

EN: É possível vermos as pessoas nas ruas, em manifestações contra os resultados eleitorais?

VS: Não excluo que a oposição possa apelar a manifestações. Mas não pode esquecer os limites ditados pela Constituição e pelas leis. A oposição tem de ser responsável.

EN: O que pensa da ajuda dada por Moscovo a Minsk?

VS: É verdade que a Rússia é um país aliado. Mas, neste período de campanha eleitoral, as autoridades russas não intervêem e não apoiam nenhum candidato directamente. A Rússia não intervém nos nossos assuntos políticos internos.

EN: Pode explicar-nos por que razão está a televisão pública russa, RTR, proibida de cobrir as eleições na Bielorrússia?

VS: Sinceramente, não sei nada sobre isso. Mas, se realmente existe essa interdição, deve haver uma razão válida para isso.

EN: E uma equipa da EuroNews, seria autorizada a cobrir as eleições?

VS: Por que seríamos contra? Os programas da EuroNews são muito vistos, no nosso país. São mesmo muito populares.