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Bielorrússia: oposição tomou as ruas para contestar reeleição de Lukashenko

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Bielorrússia: oposição tomou as ruas para contestar reeleição de Lukashenko

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Derrotada nas urnas, a oposição bielorussa conta agora com o apoio das ruas para poder derrubar o regime de Alexandre Lukashenko, apontado como “a última ditadura da Europa”.

Depois de ter concentrado esta noite entre 10 e 20 mil pessoas na praça de Outubro em Minsk, a oposição convocou para hoje às 18h30 locais, menos duas horas em Lisboa, uma nova manifestação para protestar contra a reeleição do presidente. Segundo os resultados oficiais das eleições de domingo, Lukachenko obteve o seu terceiro mandato com 82,6% dos votos contra os 6% recolhidos pelo líder da oposição e principal adversário, Alexandre Milinkevitch. Entre os manifestantes reunidos na praça de Outubro, Milinkevitch classificou de “mentira” o anúncio da vitória do presidente Alexandre Lukachenko, reclamando uma segunda volta eleitoral e apelando à comunidade internacional para que invalide o escrutínio de domingo. Ontem alguns media bielorrussos davam voz à inquietação da missão de observadores da OSCE relativamente a irregularidades em várias assembleias de voto. Apoiado pela Europa e pelos Estados Unidos, Milinkevitch é o primeiro candidato presidencial a reunir a oposição bielorrussa em 12 anos de regime Lukashenko, encarnando aos 58 anos a esperança de uma revolução tranquila, que “vença o medo do regime”. Esta noite e apesar das ameaças do KGB bielorrusso de deter e condenar à pena capital todos os que ousassem manifestar-se, a polícia limitou a sua presença às imediações da Praça de Outubro, longe das câmaras de televisão. Em compensação os transportes públicos na cidade estiveram parados para evitar o afluxo de manifestantes. Dezenas de milhares de pessoas agitaram bandeiras vermelhas e brancas (as cores da bandeira após a independência do país em 1991) e azuis, a cor da oposição que fala já de uma “revolução da ganga”, encabeçada pelos jovens do país. Lukachenko reclama um apoio popular genuíno, graças ao que chama de “milagre económico bielorusso”, mas desde há vários meses que tenta a todo o custo evitar que o seu regime seja o palco de uma nova revolução pacífica. O líder que gosta de ser tratado por “pai”, conta com o apoio imprescindível de Moscovo no papel de presidente e de patrão das empresas estatais, mas nos últimos meses tem reforçado o sistema repressivo sobre os opositores e os media. Desde a sua ascenção à presidência em 1994 sob a bandeira do combate à corrupção, Lukachenko não tem parado de concentrar poderes. Em 2004, num referendo considerado fraudulento pelos observadores internacionais, conseguiu modificar a Constituição de forma a poder candidatar-se a um terceiro mandato.