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Cessar-fogo da ETA abre caminho a longo processo político

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Cessar-fogo da ETA abre caminho a longo processo político

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Foi com a notícia do cessar-fogo permanente da ETA que o primeiro-ministro Zapatero chegou à cimeira europeia de Bruxelas.

No dia em que Portugal e Espanha comemoram os vinte anos da entrada na então Comunidade Económica Europeia, a Espanha prepara-se para viver o final da violência da organização terrorista basca, que ao longo de 38 anos causou mais de 800 vítimas mortais. A revelação da ETA é vista com um misto de esperança e cepticismo, mas abre caminho a um longo processo político, cujo objectivo continua a ser a autodeterminação do País Basco. Com o anunciado abandono das armas está satisfeita a primeira condição imposta pelo governo para negociar.Porém, para as associações de vítimas da ETA, o cessar-fogo permanente é um presente envenenado, uma vez que a organização não apresenta um plano de destruição das armas.Por isso, consideram que eventuais cedências de Madrid só iriam legitimar a luta armada como forma de obter dividendos políticos. Francisco José Alcaraz, da Associação das Vítimas de Terrorismo, próxima do PP, diz que se trata de “chantagem, é um cessar-fogo condicionado à principal reivindicação da ETA, a independência da Comunidade Autónoma Basca.” Mikel Buesa, do Fórum de Ermua, também está céptico: “Não é o fim do terrorismo. A ETA não anunciou de todo uma renúncia à violência para desenvolver a sua actividade política.” Depois de ouvir a oposição, o governo deverá encetar o diálogo com a ETA. Como factor primordial de aproximação surge a transferência para o País Basco dos detidos da organização, dispersos por prisões de Espanha e França. Porém, ainda estão por avaliar os custos políticos de eventuais concessões de Madrid.