Última hora

Última hora

Ehud Olmert prepara governo israelita durante o próximo mês

Em leitura:

Ehud Olmert prepara governo israelita durante o próximo mês

Tamanho do texto Aa Aa

Ehud Olmert dispõe de trinta dias para formar governo. Um executivo que deverá ser formado por uma coligação. E é aqui que reside a incógnita: até que ponto estará Olmert disposto a ir para conseguir uma maioria confortável no parlamento. O próximo primeiro-ministro israelita precisa de facto de um apoio da assembleia para avançar até 2010 com a consolidação definitiva das fronteiras do Estado hebraico, uma forma de separar de vez israelitas e palestinianos.

Ehud Olmert deverá por isso ser obrigado a fazer concessões, em primeiro lugar aos trabalhistas, quase garantidos na futura coligação. Amir Peretz, líder do partido, consciente do peso eleitoral que adquiriu, reclama lugares-chave no executivo. O ministério das Finanças é um deles. Peretz pode reivindicar ao mesmo tempo o poder de veto no próximo orçamento. Mas o programa social dos trabalhistas é considerado por muitos como demasiado pesado para a economia do país. O cenário mais provável do próximo executivo é uma aliança entre os partidos de centro-esquerda e dos Reformados. Mas não se sabe até que ponto irá o papel dos ultra-ortodoxos, de extrema-direita, no futuro governo. Os ultra-religiosos do Shaas e da União do Judaísmo da Tora podem reforçar a coligação. O editor do Jerusalém Post, David Horovitz, considera que “a vitória do Kadima é indiscutível mas os resultados não são os que Olmert ambicionava e para conseguir um apoio forte poderá chamar para o governo elementos contrários aos ojectivos do Kadima”. Depois da serem colocados de parte do executivo de Sharon em 2003, a formação ultra-ortodoxa sai destas eleições como a terceira mais forte no país. O partido da União do Judaísmo da Tora defende a ideia da “grande Israel” e recusa qualquer negociação territorial com os palestinianos. Apesar da oposição à retirada dos colonatos, os dois partidos extremistas de direita querem voltar ao poder. Podem vir a ser seduzidos pelo pragmatismo do Kadima que quer fronteiras definitivas com os palestinianos em 2010. Mas, uma vez no executivo e com algum apoio do parlamento, podem também tentar impedir a retirada dos colonatos da Cisjordânia e arranjar mais uma dor de cabeça para Ehud Olmert.