Última hora

Última hora

Debate sem vencedor incontestado dirigiu-se aos eleitores indecisos

Em leitura:

Debate sem vencedor incontestado dirigiu-se aos eleitores indecisos

Tamanho do texto Aa Aa

Os dois candidatos às legislativas italianas tiveram a última oportunidade para convencer os indecisos. Silvio Berlusconi e Romano Prodi tiveram ontem à noite o frente-a-frente antes das legislativas de 9 e 10 da próxima semana. Berlusconi, líder da coligação da direita, tentou assustar os italianos ao afirmar que a aliança partidária de Prodi, de centro-esquerda, tem uma maioria da extrema-esquerda e que os impostos anunciados vão sugar os italianos.

Prodi, visivelmente mais tranquilo, afirmou que pode “dar confiança ao país à medida que avança numa batalha para elevar a Itália ao nível que ela merece, recolocá-la como protagonista no mundo, para recomeçar a ganhar”. O líder da oposição foi quase sempre eficaz nas respostas, enquanto o primeiro-ministro esteve mais nervoso. Mas Silvio Berlusconi recorreu com insistência ao argumento do aumento dos impostos para assustar os que pensavam votar na esquerda e depois lançou a surpresa da noite – prometeu a todos a supressão da taxa fundiária comunal sobre as novas construções. E acrescentou: “sim, ouviu bem, vamos aboli-la”. Há quem pense que foi o suficiente para chamar a atenção dos indecisos, já que entre 70 a 80 por cento dos italianos são proprietários das suas habitações. Mas essa taxa é vital para o funcionamento das câmaras, Prodi de imediato disse que gostaria ouvir a opinião das edilidades sobre essa promessa. Um eleitor afirmou que “a credibilidade dos dois é zero. As promessas de carácter eleitoral são estudadas para apelar ao imaginário colectivo dos indecisos”. Houve também momentos de humor, como quando Prodi afirmou que Berlusconi se apoiava nos números como um bêbado nos candeeiros de rua, não para se iluminar mas para não perder o equilíbrio. A resposta não tardou, o primeiro-ministro chamou a Prodi “o útil idiota da esquerda”, que está a ser utilizado pelos seus “sócios comunistas” – uma velha imagem política usada no século passado para dizer “político fantoche”.