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Homicídio perturba processo de paz

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Homicídio perturba processo de paz

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O processo político na Irlanda do Norte foi de novo manchado por um assassinato. Denis Donaldson, de 55 anos, foi encontrado morto, baleado, no seu domicílio na República da Irlanda. Esta morte ocorre a dois dias de um encontro entre os chefes dos executivos de Dublin e Londres.

Donaldson era um antigo membro do partido republicano norte-irlandês, Sinn Fein, mas em Dezembro confessou ter sido um espião britânico nas duas últimas décadas. Além de pertencer ao braço político do IRA, Donaldson tinha sido também condenado por actividades bombistas enquanto membro do Exército Republicano Irlandês (IRA). Um passado confuso a que se junta uma acusação de espionagem no parlamento autonómo de Stormont a favor do Sinn Fein, partido do qual viria a ser expulso depois da sua confissão de Dezembro. De notar ainda que Donaldson não gozava de protecção de qualquer espécie por parte das autoridades irlandesas ou britânicas. Para o líder protestante que chefia os unionistas da Irlanda do Norte, o reverendo Ian Paisley, “este é um assassinato brutal que tem, obviamente, a marca do IRA e do Sinn Fein.” Mas o dirigente histórico católico dos norte-irlandeses, Gerry Adams, apressou-se a dissociar o partido republicano do ocorrido e apresentou as suas condolências à família da vítima. Adams reiterou ainda que “os milhares de republicanos irlandeses que apoiam o processo de paz nada têm a ver com este crime.” O processo de paz na Irlanda do Norte encontra-se parado desde que o parlamento regional foi suspenso há três anos. O primeiro-ministo britânico Tony Blair e o chefe do governo irlandês, Bertie Ahern, têm agendada uma reunião quinta-feira em Armagh, na Irlanda do Norte.