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PM polaco defende "mão de ferro" contra líderes bielorrussos

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PM polaco defende "mão de ferro" contra líderes bielorrussos

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O primeiro-ministro polaco, Kazimierz Marzinkiewicz, recebeu mais uma vez a EuroNews, desta vez na embaixada polaca em França, numa semana decisiva para a política do país, já que o parlamento vota esta sexta-feira uma moção que pode ditar a dissolução da assembleia e o fim do actual governo de centro-direita.

Os investidores estrangeiros temem o regresso a uma economia de Estado, se se confirmar uma coligação forçada com o partido populista de esquerda “Auto-defesa”.

Outro tema quente é o da Bielorrússia. A Polónia, país vizinho, está na linha da frente, entre os Estados-membros da União, a pedir sanções rígidas ao regime de Lukashenko.

Hans von der Brelie, EuroNews: A Polónia está a meio de uma crise política. Fala-se de eleições antecipadas e de uma moção de confiança. Pensa formar uma coligação com partidos que defendem posições extremas, anti-europeias?

Kazimierz Marzinkiewicz, primeiro-ministro da Polónia: Neste momento, tentamos convencer todas as forças políticas a aceitar eleições antecipadas e a dissolução do parlamento, para ver se povo polaco aceita, ou não, as mudanças propostas plo partido Direito e Justiça. Já fiz saber em que direcção iria o governo, independentemente do que se vier a passar na cena política. Não tenho intenções de mudar de rumo. É a política de que a Polónia precisa e que os polacos aceitam. Temos uma boa política internacional. Somos o garante deum desenvolvimento rápido e estável da Polónia.

EN: Falemos do “patriotismo” ou nacionalismo económico. Há um banco italiano, Unicredit, que quer fundir-se com um banco germano-polaco, mas o seu governo opõe-se. Porquê?

KM: O meu governo gosta tanto dos investidores italianos como dos alemães. Qualquer um deles assinou um acordo com o tesouro polaco, onde prometem que, depois de terem comprado um banco ao Estado polaco, não podem voltar a comprar nenhum outro. Queremos apenas que esses acordos sejam respeitados. Estamos convencidos que, em casos de litígio, vale sempre a pena discutir.

Por isso, encontrei-me com o presidente do Unicredit e estamos em discussões há já duas semanas. Espero que se consiga chegar a um compromisso.

EN: Falámos da livre circulação de capitais na Europa. Temos também de falar na livre circulação de trabalhadores. É ainda difícil para os cidadãos da Europa de Leste ir trabalhar para a Europa Ocidental. Qual é a posição da Polónia?

KM: O melhor é ler o relatório da Comissão Europeia, que examina a forma como a abertura do mercado de trabalho na Grã-Bretanha, Suécia e Irlanda influenciou a economia destes países: o relatório mostra que beneficiaram.

EN: Qual é o seu argumento-chave para convencer os investidores estrangeiros a apostar na Polónia?

KM: A Polónia tem condições económicas favoráveis. Para já, tem um crescimento de 5% do PIB, o que é já muito importante. Depois, a Polónia tem uma situação macro-económica muito boa para acolher os investidores e um potencial único, que não se vê em mais lado nenhum. Falamos de dez milhões de jovens polacos, com uma boa formação e grandes ambições, com vontade de trabalhar. Se alguém quiser usar esse potencial humano, esta nova geração de polacos, e quiser investir no país, encontra este potencial de jovens dinâmicos e com boa formação. É a nossa mais-valia.

EN: O regime autoritário do presidente Lukashenko, da Bielorrússia, acaba de atirar para as prisões centenas de manifestantes pacíficos. Há testemunhos de maus tratos. O que deve fazer a União Europeia?

KM: A União Europeia não pode ficar muda quando os direitos do homem estão a ser violados. A defesa dos direitos humanos é o nosso dever, a nossa tarefa. Estamos convencidos disso e foi o que propusémos à união europeia. é preciso aplicar sanções aos responsáveis por esta situação.

Ou seja, há centenas, ou talvez milhares de decisores bielorrussos que deviam ser proibidos de entrar na União europeia. Os políticos mais importantes devem ver as contas bancárias e os bens que têm na União congelados.