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Derradeiro apelo a entendimento na Irlanda do Norte

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Derradeiro apelo a entendimento na Irlanda do Norte

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Tony Blair e Bertie Ahern lançaram esta quinta-feira em Armagh, na Irlanda do Norte, um derradeiro plano para restaurar a autonomia do território.Londres e Dublin, que apadrinham uma solução pacífica e partilhada, querem ver unionistas e republicanos a trabalhar em conjunto no poder, de forma a ultrapassar mais de três décadas de conflito.

Para Tony Blair, “foi definido o calendário de todo o processo, que começa pela restauração da Assembleia regional a 15 de Maio e vai até Novembro deste ano, para que a decisão definitiva seja tomada.” Há uma década que Tony Blair e Bertie Ahern se esforçam por solucionar o conflito na Irlanda do Norte. Daí o ultimato agora lançado. Bertie Ahern considera que “esta estratégia conjunta representa a melhor oportunidade para abrir caminho à restauração do governo regional partilhado ainda este ano. Qualquer pessoa sensata tem de conceder que esta é uma tentativa honrosa e justa destinada a permitir aos partidos que façam o trabalho para que foram eleitos”. As duas partes têm agora até ao dia 24 de Novembro para ultrapassar os diferendos ou vão permanecer sob administração directa de Londres. O Parlamento regional norte-irlandês, instituído pelos Acordos de Sexta-feira Santa, está suspenso desde Outubro de 2002, depois de acusações mútuas terem minado o entendimento entre unionistas protestantes e republicanos católicos. Por isso, o consenso não será fácil, para mais tendo em conta o recente homicídio de Denis Donaldson, antigo responsável político do Sinn Féin, denunciado como espião a soldo de Londres. Em reacção ao plano, o reverendo Ian Paisley, líder dos unionistas, criticou a ingerência da República da Irlanda no Ulster e continuou a exigir que o final da violência e não prazos impostos do exterior ditem a restauração do governo regional. Em representação do Sinn Féin, Gerry Adams realçou as enormes concessões já feitas pelos republicanos e exortou os unionistas a aceitarem o projecto, que considera augura um futuro pacífico para o território.