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Mercados reagem ao diferendo sobre o programa nuclear iraniano; petróleo sobe

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Mercados reagem ao diferendo sobre o programa nuclear iraniano; petróleo sobe

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O aumento de custo do barril de crude é consequência do braço-de-ferro entre a comunidade internacional e o Irão sobre o programa nuclear iraniano. Seis meses de crise e de malabarismos diplomáticos. Os esforços do chefe da Agência Internacional de Energia Atómica da ONU, Mohamed El Baradei, nada deram.

Ele assume que a sua equipa nada viu, nem material nem armas, mas “o quadro geral não é claro”. Palavras que deixam transparecer alguma preocupação. Dois dias antes, o presidente Ahmadinejad anunciava, num palco com fundo de pombas brancas, que os iranianos tinham acabado de se juntar ao clube dos países nucleares, depois de terem conseguido enriquecer urânio, pela primeira vez. O regime de Teerão desafia a comunidade internacional e provoca o receio de uma resposta militar de Washington. Além do mais, promete fechar a torneira do ouro negro em caso de agressão. Não é preciso mais para afectar os mercados de petróleo. O Irão produz quatro milhões de barris por dia, fornecendo 4,7 por cento da produção mundial. Teerão controla também o Estreito de Ormuz, entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, por onde transitam, diariamente, até 16 milhões de barris, ou seja, 20 por cento da produção mundial. Os mercados de petróleo levam a sério a ameaça de Teerão. O presidente da Paramount Options, Raymond Carbone, explica que, mesmo que não haja diferendos adicionais na frente iraniana, no Estreito de Ormuz ou na região em geral, os preços vão continuar a aumentar muito. Uma agitação alimentada por outros focos de instabilidade que afectam o fornecimento. É o caso da Nigéria, primeiro produtor africano e oitavo a nível mundial. Reduziu 25 por cento da produção do petróleo por causa dos ataques dos guerrilheiros no Delta do Niger. Ao mesmo tempo, a procura mundial não diminui, nomeadamente da China, que subiu para 10,2 por cento no primeiro trimestre de 2006. A tudo isto junta-se o receio da aproximação ao pico de produção mundial, previsto para 2013.