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Chernobyl e o futuro

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Chernobyl e o futuro

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O drama de Chernobyl continua a suscitar controvérsia, não só quanto ao número de vítimas mas também quanto ao futuro energético da Ucrânia.

A recente batalha em torno do fornecimento do gás russo ao país colocou a descoberto a dependência do país.

Apesar do desastre ocorrido há 20 anos, Andrei Novikov, director da central, tem agora mais um motivo para defender a energia nuclear.

“O recente escândalo do gás demonstrou que a procura energética está a aumentar. Nós estamos a ficar mais dependentes dos recursos energéticos não renováveis, por isso, acho que a energia nuclear é o melhor para a Ucrânia”, afirmou.

Depois do acidente, os restantes 3 reactores continuaram a funcionar. Só 14 anos depois é que o último foi desactivado. Mas existe um problema que persiste. O velho sarcófago erguido para conter a radiação começa a ficar em ruínas. Enormes fissuras apareceram deixando passar forte radioactividade.

Nicolas Gouminiouk viu colegas e amigos serem expostos à radiação. Muitos já morreram, mas o técnico continua na central a trabalhar na desactivação total do complexo.

“Fizemos o que era necessário. As medidas de segurança foram reforçadas e a central funciona muito bem. Não existe qualquer risco de um novo problema ocorrer”, garantiu Gouminiouk.

A comunidade internacional já reuniu mais de 720 milhões de euros para a construção de uma nova estrutura em aço, cujos trabalhos deverão ter início este verão.

Apesar de todas as consequências do desastre, que vão sentir-se durante muitos anos, o director de Chernobyl defende a aceitação dos riscos da energia nuclear.

“É um risco que tem de ser considerado tal como o perigo das pessoas morrerem num acidente de automóvel. Todos os anos perdem a vida cerca de 100 mil pessoas, no entanto, estamos sempre dispostos a aceitar esse risco. Acho que a sociedade e a nossa civilização está preparada para aceitar o risco potencial da energia nuclear”, assumiu Andrei Novikov.