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O senado italiano não se entende

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O senado italiano não se entende

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Na primeira sessão parlamentar após as eleições legislativas a câmara alta tentou eleger um presidente. Mas três votações não foram suficientes. Em disputa directa estavam Franco Marini pela União de centro-esquerda e Giulio Andreotti, da aliança de centro-direita, que foram obrigados a ir a uma segunda volta depois nenhum ter obtido maioria.

Na segunda volta chegou a cantar-se vitória por um voto, mas dois senadores ter-se-ão enganado. Em vez de Franco Marini, escreveram no boletim de voto Francesco Marini. O escrutínio foi repetido. Passava já da meia-noite quando os senadores ouviram o resultado da repetição.Um voto nulo voltou a impedir a vitória do candidato de Romano Prodi. Desta vez um senador não colocou o nome próprio no Boletim escrevendo apenas Marini. Acontece que existe mais do que um senador com esse nome de família. A quarta votação ocorre este sábado. O escrutínio na câmara dos deputados foi mais tranquilo, graças ao sistema eleitoral introduzido por Silvio Berlusconi antes das eleições de 9 e 10 de Abril. Fausto Bertinotti, da Refundação Comunista foi eleito presidente. No país que viu nascer Maquiavel os erros na eleição do presidente do Senadonão são tidos como genuínos por muitos. A dificuldade em ultrapassar uma etapasimples coloca a descoberto as dificuldades que Romano Prodi poderá vir a terpara fazer aprovar leis. Lawrence Gray, professor na universidade de John Cabot em Roma, explica: “É uma demonstração de força, porque se não ultrapassam este primeiro testebásico ao nível institucional, para encontrar alguém que seja o líder nopróximo senado, então a coligação vencedora, a coligação de Prodi, vai termuitos problemas para ver aprovadas bastantes coisas. Este episódio vai ser umareferência para muitos, muitos outros problemas. Ainda não estão visíveis, masvão acabar por vir ao de cima muito em breve”. Romano Prodi está consciente de que obteve uma ligeira vantagem nas eleições.Silvio Berlusconi também e é por isso que recusa assumir a derrota.