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Captura de Mladic divide Sérvia entre europeístas e ultranacionalistas

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Captura de Mladic divide Sérvia entre europeístas e ultranacionalistas

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A impunidade de que goza o general Ratko Mladic coloca agora Belgrado à margem da União Europeia. As negociações com vista à assinatura de um tratado de estabilização e associação, agendadas para o próximo dia 11 encontram-se definitivamente suspensas.

Mas para muitos estados membros como a Grécia, a Sérvia não deixa de ter o seu lugar na União, como o afirma Anna Diamantopolous, membro da comissão para os assuntos europeus do parlamento grego: “os Balcãs têm um papel importante na história da paz e do desenvolvimento da Europa, razão pela qual a Sérvia não pode ser abandonada como se fosse um “buraco negro” no mapa dos Balcãs. Todos sabemos que é necessário respeitar os prazos e decisões da União Europeia, mas ao mesmo tempo a União é uma entidade política e não um tribunal. Creio por isso que existe ainda margem de manobra para a diplomacia”.

Apesar das críticas à falta de colaboração de Belgrado, proferidas em uníssono pelo TPI e por Bruxelas, a captura de Mladic divide a Sérvia entre europeístas e ultranacionalistas.

As altas esferas militares continuam a proteger o criminoso de guerra foragido, segundo a procuradora geral do TPI, Carla Del Ponte.

A classe política sérvia oscila, por seu lado, entre a ambiguidade do primeiro-ministro Vojislav Kostunica e o sentimento de impotência do seu vice-primeiro-ministro Miroljub Labus que o levou a apresentou hoje demissão.

Para Gergona Noutcheva, analista do centro de estudos de política europeia, um organismo não governamental, “todas as forças políticas sérvias querem entregar o general, mas não sabem como apresentar esta decisão ao público. Para eles trata-se de tentar cumprir as promessas feitas ao exterior sem por em causa a popularidade a nível interno. Tudo faz parte do processo de reconciliação interna”.

Um processo dificultado no entanto pela desconfiança face às intenções da comunidade internacional.

As circunstâncias da morte de Milosevic em Haia, e os processos de independência do Kosovo e do Montenegro, apoiados por Bruxelas, reforçam a resistência dos círculos ultranacionalistas em torno de figuras como Ratko Mladic, vistos como heróis de guerra do passado.